O respeito aos contratos de concessão da distribuição do gás natural bem como o reconhecimento, de fato, da importância do produto para a matriz energética do País estão entre os principais desafios do setor atualmente no Brasil. O alerta é feito pelo presidente da Comissão Nacional de Energia do Conselho Federal da OAB, Gustavo De Marchi. Ele acredita que, até mais que o governo federal, os estados, responsáveis pela concessão, precisam focar mais no setor, de forma estratégica, incentivando a expansão.
De acordo com De Marchi, um ambiente de insegurança jurídica pode se tornar entrave para a expansão do gás, sobretudo rumo à interiorização. Para o especialista, embora o chamado Novo Mercado de Gás, instituído este ano pela Resolução nº 16, do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), estabeleça alguns avanços em termos de regulamentação, a participação dos estados torna-se fundamental com políticas energéticas que incluam o gás natural dentre as prioridades.
“Dever de casa”
“O CNPE e a resolução do Novo Mercado de Gás é, na verdade, só uma diretriz, mas o dever de casa precisa ser feito pelos estado, respeitando os contratos de concessão e estimulando a cadeia, desde a prospecção até a distribuição”, diz De Marchi, enfatizando a importância de se apostar na distribuição. Nesse sentido, ele aponta duas vertentes: os investimentos ancorados nas termelétricas a gás, que são tendência mundial; e a necessidade de boas práticas regulatórias por parte dos estados.
“Em relação às termelétricas, a distribuição deve garantir a expansão para o interior para que o gás não se limite, como vemos hoje, apenas à faixa mais litorânea do País. Já em relação às boas práticas, faz-se fundamental ter agências regulatórias independentes e autônomas”, diz o advogado.
De Marchi estará em Salvador na próxima semana, para proferir palestra no simpósio Regulação e Competitividade no Novo Mercado de Gás – Perspectivas para a Evolução da Indústria do Gás Natural no Brasil. O evento será realizado no próximo dia 27, no Wish Hotel da Bahia, no Campo Grande.
Fonte: A Tarde Online (BA)
Related Posts
MME: dificuldade de acesso às infraestruturas é barreira à queda do preço do GN
As infraestruturas de escoamento e processamento são hoje um dos principais fatores de impacto sobre os preços do gás natural no Brasil, na avaliação do MM)., Marcello Weydt, diretor de GN do Ministério,...
Shell defende acesso negociado a sistemas integrados de gás
A Shell apoia a preservação do acesso negociado às infraestruturas de escoamento e processamento de gás natural. A companhia aponta que o modelo é indispensável e defende mudanças na minuta apresentada pela...

