Os preços do petróleo encerraram a segunda-feira (21) em forte queda, pressionados tanto pela perspectiva de aumento na oferta global da commodity quanto pelas incertezas relacionadas à demanda.
Pelo lado da demanda, o aumento dos casos de covid-19 na Europa eleva os temores de que novas medidas de restrição à atividade econômica sejam estabelecidas para conter o avanço da pandemia. Já pela ótica da oferta, a perspectiva de que a produção de petróleo da Líbia volte ao mercado pesa sobre o sentimento dos investidores. Soma-se a esse cenário negativo, a alta do dólar no exterior, que também pressionou os preços da commodity.
Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) para o mês de outubro terminaram o pregão em queda de 4,37%, negociados a US$ 39,31 o barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). Os preços do Brent para entrega em novembro recuaram 3,96%, a US$ 41,44 o barril, na ICE, em Londres.
O aumento no número de casos na Europa tem despertado temores de novas restrições à atividade econômica no continente, um desdobramento que teria impactos no ritmo da recuperação econômica global. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, participou de negociações, hoje, para discutir a introdução de novas medidas para conter a disseminação do novo coronavírus.
“Os preços do petróleo recuam à medida que a Europa parece preparada para novos bloqueios induzidos pelo coronavírus e depois de a Líbia ter reiniciado a produção de petróleo. Um dólar forte e riscos crescentes para a recuperação econômica global continuarão a pressionar os preços”, afirmou o analista-sênior de mercados da Oanda, Edward Moya.
Reportagens recentes apontam que o comandante militar líbio Khalifa Haftar, que controla a parte oriental do país, suspenderia um bloqueio de oito meses às exportações de petróleo, que praticamente paralisou a produção do país. Com isso, analistas da JBC Energy, uma empresa de consultoria com sede em Viena, mudaram seu cenário base para um aumento gradual da oferta da Líbia a partir do fim do mês para 650 mil barris por dia no início de 2021.
“Este nível está bem abaixo dos níveis pré-crise de 1,2 milhões de barris por dia, com base em relatórios anteriores de infraestrutura danificada”, escreveram esses analistas, em nota. “Isso significa que a Líbia deve adicionar 230 mil barris por dia em média durante o quarto trimestre de 2020, com um certo risco de alta.”
A perspectiva de retomada na produção da Líbia é particularmente negativa em meio à incerteza sobre o estado da economia global.
“Obviamente, o mercado global de petróleo está em um estado frágil, dada a recuperação da demanda mais lenta do que o esperado. Portanto, qualquer oferta adicional só tornará mais difíceis os esforços da Opep + para reequilibrar o mercado”, disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities da ING, em uma nota.
Os preços das commodities também são afetados pela aversão ao risco global, que impulsiona o dólar no exterior. No meio da tarde desta segunda, o índice DXY avançava 0,79%, aos 93,655 pontos, na ICE.
Fonte: Valor Online
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