A contratação obrigatória de térmicas a gás natural, incluída no texto da MP da privatização da Eletrobras pode ajudar a baratear, e não encarecer, os custos de energia do país. Essa é a visão da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado – Abegás.
A entidade foi a principal defensora da inclusão do tema na MP, aprovada na semana passada na Câmara e que ainda depende do aval no Senado. Anteriormente a Abegás tentou, sem sucesso, emplacar a contratação de usinas a gás nas discussões da Lei do gás, mas foi praticamente uma voz isolada entre as demais associações que representam agentes da cadeia de óleo e gás.
Uma das principais críticas à obrigatoriedade em lei da contratação de termelétricas a gás na base é a Associação dos Grandes Consumidores de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), que alega que a contratação de termelétricas em quantidades e locais já definidos, sem suporte e estudo técnico, pode resultar no aumento de custo a todos os consumidores em R$ 20 bilhões por ano.
A MP prevê que a contratação de uma capacidade adicional de 6 gigawtts (GW) em novas térmicas a gás. O temor é que essas usinas, sobretudo aquelas eventualmente instaladas longe das atuais redes de gasodutos, sejam negociadas a preços altos em relação aos concorrentes, como as renováveis, encarecendo a conta da energia.
O diretor de Estratégia e Mercado da Abegás, Marcelo Mendonça, defende, por sua vez, que a contratação de térmicas a gás, para operação na base, ajudará a substituir o uso das usinas a óleo diesel e óleo combustível que hoje despacham em situações de emergência, a custos muito mais elevados que as térmicas a gás.
“A energia mais cara é a energia que não temos …. Ao longo das últimas décadas o Brasil tem apostado todas as fichas no fato de que as chuvas sempre acontecerão no tempo e locais certos … Acho que estamos atrelados a conceitos antigos, a um sistema que hoje não corresponde à realidade. A recuperação dos reservatórios já não acontece como no passado. Já sabemos que vamos precisar de térmica (para complementar as renováveis): falta definir se vamos contratar térmicas de custo mais alto, a diesel, ou novas térmicas a gás”, argumenta Mendonça, em referência ao atual momento critico dos reservatórios das hidrelétricas.
Segundo ele, a entrada das térmicas na base, no longo prazo, dará maior equilíbrio ao sistema e reduzirá tarifas, na medida em que as usinas a diesel e óleo que operam emergencialmente forem inutilizadas.
Mendonça também comenta que, ao prever a entrega de uma nova capacidade de geração a gás a partir de 2026, a MP “dá um sinal econômico interessante aos investidores”, para que eles viabilizem , em cinco anos, a expansão da infraestrutura de gás natural necessária para aumentar a oferta nacional.
O diretor da Abegás defende que o governo coordene os futuros leilões das térmicas com um leilão de gás, por meio do qual os produtores poderiam ofertar os seus volumes também para indústrias e distribuidoras.
“O benefício disso é reduzir a injeção de gás ao limite da reinjeção técnica, o que poderia aumentar a arrecadação de royalties e participação especial em R$ 9 bilhões ao ano e atrair investimentos na infraestrutura de oferta do gás da ordem de US$ 40 bilhões, em rotas de escoamento, unidades de processamento (UPGNs), e gasodutos de transporte e distribuição, por exemplo”, disse.
Fonte: Valor Pro
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