O Parlamento Europeu aprovou resolução que coloca fontes de energia a gás e nuclear na lista de matrizes energéticas “limpas”. A decisão abre espaço para maiores investimentos privados nestas fontes, apesar de críticas de ambientalistas. A proposta foi feita pela Comissão Europeia no início deste ano como parte de seus planos para atingir a neutralidade da emissão de carbono, mas a decisão acabou dividindo os países membros e atraindo protestos de ambientalistas, que acusaram a medida de “greenwashing”. A UE tem como objetivo reduzir em 55% suas emissões de carbono até 2030, e zerar as emissões até 2050, porém ambientalistas dizem que a decisão pode colocar em xeque as metas do bloco. Se os países membros não se opuserem à proposta até 11 de julho, a decisão entrará em vigor e será aplicada a partir do próximo ano.
O Greenpeace disse que enviará um pedido formal de revisão interna à Comissão Europeia e, em seguida, tomará medidas legais no Tribunal de Justiça Europeu se o resultado não for conclusivo. “É uma política suja e é um resultado ultrajante rotular o gás e a energia nuclear como verdes e manter mais dinheiro fluindo para o cofre de guerra de Putin, mas agora vamos lutar contra isso nos tribunais”, disse Ariadna Rodrigo, do Greenpeace. O relator do Parlamento Europeu, Bas Eickhout, disse que esse é “um dia sombrio para o clima e para a transição energética”. A decisão de considerar energia a gás e nuclear como “limpa” dividiu os 27 países membros do bloco. O ministro da Energia de Luxemburgo, Claude Turmes, lamentou o “fracasso” do Parlamento Europeu em bloquear o plano da comissão, e disse que seu país, junto com a Áustria, avançará para bloquear a decisão de considerar a energia nuclear e a gás como sustentável.
Fonte: Valor Online
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