A Firjan espera um aumento da disponibilidade de gás natural ao mercado para este ano e se consolidar do estado o Rio de Janeiro como “hub de gás” do país, usufruindo da vantagem de concentrar 75% da produção nacional. Essa é a principal mensagem da 8ª edição da publicação “Perspectivas do Gás no Rio 2025-2026”. Segundo a publicação da Firjan, a produção diária de gás natural no país aumentou 16% em 2025, alcançando 178 milhões m3/dia, segundo dados da ANP (até o mês de novembro) compilados pela Firjan em comparação à média diária do ano de 2024. O Rio de Janeiro foi o maior produtor, com um volume de 137 milhões m3/dia (75%). Somente no Rio de Janeiro, a produção bruta cresceu 20% no mesmo período. Ao se comparar os avanços no ambiente de produção em um período mais alongado, como aquele da aprovação da Nova Lei do Gás em 2021, os volumes diários produzidos entre janeiro e novembro de 2025 alcançaram patamares 60% acima daquele ano no estado e 33% acima a nível nacional.
Mas, segundo a entidade, maximizar o aproveitamento da produção nacional de gás natural é um dos desafios deste mercado, pois os dados mostram que uma parcela menor do gás produzido no país chegou ao mercado em 2025, quando comparado a 2021.” Saímos de um patamar de 42% para atuais 33%. Isso não significa que não houve avanços na disponibilização do gás, apenas que não acompanhamos o ritmo de aumento da produção”, observa a Firjan. O início da operação do gasoduto Rota 3 e da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Complexo Boaventura contribuíram para que maiores volumes de gás nacional chegassem ao mercado, revertendo a tendência de queda observada nos últimos anos no país, segundo a Firjan.
De acordo com a Federação, os números de disponibilidade de gás ao mercado em 2025, tanto para o país como para o Rio de Janeiro, registram crescimento bem maiores que o acumulado desde 2021: Gás nacional disponível – Brasil (2024-2025): de 50 milhões m3/dia para 59 milhões m3dia (+ 18%); Gás nacional disponível – Brasil (2021-2025): de 55 milhões m3/dia para 59 milhões m3dia (+ 6%) ; Gás nacional disponível – Rio de Janeiro (2024-2025): de 26milhões m3/dia para 33 milhões m3dia (+ 24%); e Gás nacional disponível – Rio de Janeiro (2021-2025): de 24 milhões m3/dia para 33 milhões m3dia (+ 6%). Na 8ª edição do “Perspectivas do Gás no Rio”, a Firjan destaca que o mercado aguarda um “choque de oferta” com o projeto Raia (Bacia de Campos), previsto para 2028. O estudo aponta a importância de viabilizar maiores volumes do gás, que atualmente é reinjetado, fazendo com que maiores parcelas da produção cheguem ao mercado, aumentando a oferta e a competição, com consequente redução nos preços aos consumidores. Para o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, a maturidade do mercado exige agora uma coordenação institucional sólida e segurança jurídica para transformar o potencial produtivo em redução de custos para a ponta final. “A abertura do mercado de gás vai muito além da ampliação de agentes; trata-se de uma mudança estrutural que exige a redefinição de competências, revisão de tarifas e um ambiente regulatório previsível. Para o Rio de Janeiro, esta é uma oportunidade ímpar de liderar a transição energética e a reindustrialização do Brasil, desde que as decisões sejam alinhadas ao desenvolvimento econômico e à redução de custos para a nossa indústria”, afirma Luiz Césio Caetano.
Estruturada em quatro eixos centrais — Tributação, Regulação, Infraestrutura e Modelos de Negócio — a 8ª edição do “Perspectivas do Gás no Rio” discute o momento de transformação estrutural vivido pelo mercado de gás natural no estado do Rio de Janeiro. O trabalho conta com a colaboração de instituições como o BNDES, Petrobras, EPE, MME, Receita Federal, Naturgy, Sinergás, Mattos Filhos Advogados, Infis Consultoria, Origem Energia e Conselho de Usuários do Sistema de Transportes de Gás Natural (CdU), oferecendo uma visão técnica sobre tributação, regulação, infraestrutura e modelos de negócio. Segundo a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, “um salto de qualidade do mercado de gás fluminense passa por uma maior integração de ativos como o Porto do Açu e Cabiúnas à malha de transporte nacional, garantindo que o gás chegue de forma competitiva ao setor produtivo”. A publicação da Firjan também destaca a importância do gás na transição energética e informa que o Rio de Janeiro já é um protagonista no mercado de biometano no país em termos de capacidade instalada e produção. Até 2027, outras cinco plantas estão mapeadas para entrar em operação, o que elevará ainda mais a capacidade instalada local. O potencial estimado para o estado é expressivo, da ordem de 1,3 milhão de m³/dia. O Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) surge como ferramenta essencial para a rastreabilidade e monetização de atributos ambientais. A publicação da Firjan pode ser acessada no endereço https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/perspectivas-do-gas-no-rio-2025-2026.
Fonte: PetróleoHoje
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