Para a diretora de Estudos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da EPE, Heloísa Borges a previsibilidade regulatória e a sinalização de oferta de gás natural de longo prazo são essenciais para viabilizar projetos intensivos em capital, sobretudo voltados para atender à indústria. “Para o gás essa mensagem é muito importante. Como estamos falando de investimentos de longo prazo de maturação, entendemos que é absolutamente fundamental sinalizar a disponibilidade de oferta gás hoje, mas a centralidade do gás natural na estratégia energética de médio e longo prazo no Brasil”, afirmou Borges. Segundo ela, esse foi um dos objetivos do Plano Nacional de Energia 2055, ao mostrar que o papel do gás natural permanecerá estrutural na matriz energética nacional nas próximas décadas, especialmente para a indústria. “Em todos os cenários que apresentamos fica muito claro o papel do gás natural, especialmente como combustível para a indústria brasileira (…) Nos cenários onde o Brasil cresce com diversidade e inclusão e se desenvolve reduzindo a pobreza energética, o combustível que mais cresce é o gás natural, combinado com o biometano”.
Oferta maior que a demanda
Na avaliação de Borges, o principal entrave para destravar investimentos no setor de gás natural no Brasil é a infraestrutura necessária para levar o insumo ao consumidor industrial, apesar do crescimento previsto da oferta doméstica. Ela destacou que o país vive um momento estratégico no cenário energético global, marcado pela retomada da relevância do gás natural e pela abundância potencial de oferta nacional. “O problema do Brasil não é falta de gás. O Brasil tem gás. O problema não é a disponibilidade do recurso”, afirmou. A diretora citou projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 para reforçar o potencial de expansão da produção doméstica. Segundo ela, o documento mostra que a produção líquida praticamente dobra, saindo de 65 milhões de metros cúbicos/dia em 2025, para 127 milhões de metros cúbicos/dia em 2035. Apesar do aumento esperado da oferta, a ausência de infraestrutura limita a chegada do gás ao mercado consumidor. “Nosso desafio é a infraestrutura. Em todo o horizonte a oferta é maior que a demanda”, disse. “Nosso desafio é fazer com que essa oferta potencial se torne disponível, e mostrar para o consumidor brasileiro que o gás natural é não só disponível, mas competitivo e de baixo carbono”, acrescentou.
Fonte: Eixos
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