A adoção de um Programa de Redução da Concentração no Mercado de Gás Natural, conhecido como Gas Release, ainda que não seja capaz de mudar imediatamente o preço da molécula, pode atrair competidores e propiciar outras metodologias de precificação do produto para gerar competição, afirmou nesta terça (10), no Rio de Janeiro, o diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.
O executivo foi um dos painelistas do 1º Workshop do Programa de Redução da Concentração no Mercado de Gás Natural, evento realizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Fundação Getúlio Vargas (FGV Energia).
“Concordo que o gás release não tem o poder de mudar o preço de gás. Porém, se a gente conseguir atrair novos competidores, nós conseguiremos trazer uma competição ‘gás-gás’, com outras metodologias de correção do preço de gás que não sejam vinculadas ao barril de Brent”, disse diretor executivo da Abegás.
Mendonça destacou que a ANP tem um papel importante em identificar o mercado desejado e estabelecer metas de desconcentração para serem atingidas, como o parâmetro HHI (Índice Herfindahl-Hirschman) para cada região.
Acrescentou que são dois os mecanismos para aumento da oferta e competição:
(1) Redução da participação do agente incumbente (Petrobras) por cessão de capacidade; e
(2) Diluição da participação do agente incumbente pelo aumento de oferta.
O diretor da Abegás enfatizou que o objetivo de toda a cadeia é reduzir o custo para o consumidor final. “E a forma de diminuir o custo na distribuição é aumentar volume”, afirmou ele, reforçando que todos os agentes da cadeia devem trabalhar juntos para atender ao cliente final.
Para ampliar a oferta, Mendonça sugeriu um aproveitamento maior do gás do Pré-Sal, apontando os níveis recordes de reinjeção de gás, que já superou mais de 100 milhões de metros cúbicos/dia.
Ele expressou insatisfação com a competitividade do gás que as distribuidoras compram, registrando que a Nova Lei do Gás, apesar de regulamentada e com avanços na distribuição, não resultou no aumento esperado do mercado.
Citou como exemplo o preço atual do gás com o período anterior à guerra da Ucrânia, que era o mesmo patamar. “Se olhar o período anterior à Ucrânia, [o preço] era 11,5% do Brent. Então, estamos no mesmo patamar. Não evoluímos nada no mercado”.
Mendonça defendeu que se tenha transparência em todos os elos da cadeia, incluindo transporte e os sistemas integrados de Escoamento e Processamento (SIE e SIP), e dos comercializadores.
“Os contratos das distribuidoras são desnudados pela ANP. Aparecem e são publicados. No mercado livre, a gente não sabe nada. Não tem nenhuma precificação no hub, não sabemos como esse gás é comercializado e nem se estamos subsidiando o gás para o mercado livre. É preciso que todos os elos sejam transparentes”.
Fonte: Abegás / Comunicação
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