O mercado livre de gás natural entrou numa nova fase de desenvolvimento no Brasil, passando das grandes migrações — mais pontuais — para um domínio das migrações de indústrias de menor porte, aponta um novo relatório da Wood Mackenzie.
O levantamento também mostra que a Petrobras segue líder do setor, mas que o mercado livre está menos concentrado.
O volume movimentado pelas indústrias no mercado livre já ultrapassou a marca dos 15 milhões de m³/dia — e, a partir de agora, as migrações tendem a envolver volumes menores. A consultoria destaca que esse perfil marca uma mudança estrutural no setor: a maioria dos grandes clientes industriais já migrou; o mercado agora já conta com mais de 100 consumidores;
e o crescimento recente vem cada vez mais de contratos abaixo dos 50 mil m³/dia. “O mercado de gás natural do Brasil não depende mais apenas de grandes migrações”, cita o analista de gás da Wood Mackenzie, Lucas Rego, no relatório. “Agora vemos a transição inegável para o segmento de longo prazo: muitos novos contratos, volumes médios menores e um foco crescente em estratégia comercial, renovação de contratos e fidelização de clientes”, completou. A Wood Mackenzie destaca, ainda, que os setores de alto consumo energético continuam a ancorar a demanda. As indústrias de cerâmica, aço e metalurgia, juntos, representam cerca de 7 milhões de m³/dia — quase metade do volume total do mercado livre.
Petrobras segue líder de mercado menos concentrado
Do lado da oferta, a Wood Mackenzie destaca que três empresas dominam o mercado: a Petrobras lidera com cerca de 6 milhões de m³/dia; a Edge vem na sequência, com 3 milhões de m³/dia;e a Galp com cerca de 2 milhões de m³/dia. No entanto, o mercado está se tornando menos concentrado, com vários fornecedores competindo por contas menores. As renovações representam uma parcela crescente dos novos volumes contratados no fim de 2025, cita a consultoria. A Wood Mackenzie também analisa o perfil de duração dos contratos no mercado livre. Enquanto os contratos das distribuidoras estaduais com seus fornecedores têm duração média de oito anos, os contratos de mercado livre têm uma duração média de pouco mais de dois anos, o que leva a ciclos de renegociação mais frequentes e intensifica a competição entre comercializadores. “Com a maioria dos grandes consumidores já migrada, o crescimento futuro dependerá da capacidade dos fornecedores de competir em novas regiões e adaptar suas estratégias comerciais a uma demanda menor e mais fragmentada”, acrescentou Rego. “A próxima fase da liberalização dependerá menos da escala e mais da execução”, complementou.
Fonte: Eixos
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