Evento foi realizado no dia 21 de agosto, em Belo Horizonte, em parceria da Abegás, CIBiogás e Gasmig, reunindo executivos de empresas produtoras, distribuidoras e especialistas
O Auditório da Cemig, em Belo Horizonte (MG), sediou no dia 21 de agosto de 2026 o workshop “O Gás que Move Minas”.
Realizado em parceria pela Abegás, CIBiogás e Gasmig, o evento reuniu as principais lideranças, especialistas e autoridades do setor energético para debater o papel estratégico do gás natural e do biometano no desenvolvimento industrial, na interiorização da distribuição e na descarbonização da frota de transporte pesado no Brasil.
A cerimônia de abertura destacou a sinergia entre as fontes energéticas e a integração de infraestrutura.
O diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, enfatizou que o nome do evento sintetiza o objetivo comum do setor: “Essa sinergia do gás natural e do biometano, e fundamental para promover o desenvolvimento do Estado de Minas Gerais e o do Brasil, buscando aprimorar a mobilidade do País”.
Em seguida, o presidente do conselho de administração da Abegás e do CIBiogás, Rafael Lamastra Jr., ressaltou a importância histórica da cooperação entre as entidades e a capilaridade da malha nacional: “São mais de 47.000 km de rede canalizada no Brasil inteiro que podem ser utilizadas para fazer a expansão e a gente acredita que essa integração com o biometano é um elemento importante na matriz energética brasileira”.
O presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi, e o presidente da Cemig, Alexandre Ramos, também deram as boas-vindas, reforçando os investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em infraestrutura e o projeto de 400 km de dutos isolados no Triângulo Mineiro.
O diretor-presidente do CIBiogás, Felipe Marques, foi representado na cerimônia de abertura por Rafael Lamastra, Presidente dos Conselhos de Administração da Abegás e CIBiogás.
VEJA COMO FOI O EVENTO
‘O Gás que Move Minas’ | Painel 1: Corredor Sustentável, Infraestrutura Compartilhada para Mobilidade e Indústria
O primeiro painel do workshop concentrou-se na viabilidade dos corredores sustentáveis e na urgente necessidade de substituição do óleo diesel por gás veicular (gás natural e biometano) na frota de transporte pesado, que responde por um terço do consumo energético do país.
Sob a moderação de Lucas Simone (Head Regulatório e Institucional da Commit Gás (acionista de empresas como Necta, Compagas, SCGÁS, Sulgás e CEG-Rio), o debate evidenciou que a infraestrutura existente de mais de 1.700 postos de GNV no Brasil — dos quais 157 já estão preparados para veículos pesados — é um ativo valioso que precisa ser plenamente aproveitado para acelerar a transição energética.
De acordo com o gerente de comercialização de GNV da Gasmig, Welder Souza, há uma evolução no conceito de “gás veicular” e é preciso uma atuação estratégica para superar a resistência dos operadores logísticos à mudança de veículos a diesel: “O primeiro paradigma foi quebrado, que é a disponibilidade de veículos pesados a gás. O segundo paradigma a ser vencido é a resistência do próprio operador logístico e a nossa equipe tem trabalhado para atuar não no operador, mas também no embarcador”.
Segundo o, assessor de inovação da Bahiagás, Magno Bernardo, uma boa solução é criar plataformas integradas de energia baseadas em dados geoespaciais, citando o exemplo do Atlas de Bioenergia da Bahia: “Os corredores sustentáveis precisam compreender não só o setor automotivo, mas toda a demanda e, assim, criar uma plataforma integrada e aí sim construir mercado”.
Já Marcelo Mendonça, diretor executivo da Abegás, alertou para a necessidade de escala e de políticas públicas robustas: “Quando a gente fala de mercado de gás, nós falamos de infraestrutura, e quando falamos de infraestrutura, nós falamos de escala. Temos que deixar de pensar pequeno e precisamos dar escala a essa utilização. A prioridade do País deve ser criar programas governamentais para acelerar o desenvolvimento”.
‘O Gás que Move Minas’ | Painel 2: Interiorização do Gás: Redes Isoladas como Plataforma para Novos Mercados
O segundo painel abordou as redes isoladas (ou estruturantes) como ferramentas essenciais para a interiorização do gás e o fomento ao desenvolvimento econômico regional.
Sob a moderação do presidente do conselho de administração da Abegás e do CIBiogás, Rafael Lamastra Jr., os debatedores discutiram como a produção local de biometano inverte a lógica tradicional de transporte de longa distância, permitindo que o energético nasça diretamente nas regiões de consumo, como o agronegócio e em polos industriais distantes da malha de gasodutos de transporte, predominantemente instalados nas zonas costeiras do País.
O CEO da Necta Gás, José Eduardo Moreira, apresentou o case de sucesso de Presidente Prudente (SP), a primeira cidade do país com rede 100% abastecida por biometano, e detalhou o modelo de tarifa de gestão que viabiliza investimentos sem onerar o Capex ordinário: “Em vez de comprar um caminhão e administrar logística, a gente faz essa conexão da usina e o produtor contrata a distribuidora. Isso traz segurança operacional para esse produtor e ele consegue acessar toda essa base de clientes de forma direta”.
De acordo com o diretor técnico-comercial da Gasmig, Rodrigo Pazzini, a quebra de paradigmas internos e a superação de barreiras geográficas em Minas Gerais é um passo importante para e evolução do mercado: “O mercado mudou com o advento do mercado livre. Nós distribuímos gás. E a visão é diferente: queremos que a nossa rede seja cada vez mais ocupada”, explicou Pazzini, mencionando a ideia de criar essas isoladas – recentemente, a Gasmig anunciou um projeto de rede isolada no Triângulo Mineiro visando a distribuição de biometano.
Em sua participação. Jacinto Sousa, assessor da diretoria técnica e comercial da Copergás, compartilhou a vasta experiência de Pernambuco com suas 13 redes isoladas e o esforço para substituir combustíveis fósseis e lenha no interior: “Precisamos incentivar a produção de biometano local, até para baratear o custo da molécula, reduzir custo de transporte. O desafio é fazer a transição tecnológica e depois fazer a transição para o biometano com essas produções locais”.
‘O Gás que Move Minas’ | Painel 3: O Valor da Descarbonização: Certificados, Competitividade e Novos Negócios
O painel de encerramento discutiu a valoração dos atributos ambientais não energéticos do biometano, com foco especial no recém-criado Sistema de Garantia de Origem do Biometano, o CGOB (Certificado de Garantia de Origem do Biometano), instituído pela Lei do Combustível do Futuro.
Moderado por Aline Scarpetta (CIBiogás), o debate detalhou como a separação entre a molécula física e o seu atributo de descarbonização viabiliza novos modelos de negócios e atrai investimentos privados de multinacionais com metas rigorosas de sustentabilidade.
O coordenador técnico de projetos ambientais do Instituto Totum, Rafael Noguchi, explicou o funcionamento do novo sistema de rastreabilidade: “O CGOB é o certificado de garantia de origem do biometano. O único momento que uma empresa vai poder falar que está consumindo biometano é comprando o seu certificado e aposentando ele. A molécula que ela vender sem o CGOB deixa de ser biometano, é só o equivalente ao gás natural”.
A Head de ESG da Gás Verde, Tayane Vieira, trouxe a experiência prática da empresa na emissão de certificados internacionais (como GAS-REC) para o mercado voluntário: “O certificado no caso do gasoduto não é nem uma opção. É a questão mais fundamental para se fazer qualquer jornada de descarbonização. O potencial é muito expressivo e a gente sabe que precisa andar lado a lado com o gás natural”.
Já o diretor institucional da Edge, José Mauro Cardoso, reforçou a sinergia comercial e a importância financeira dos certificados para os produtores: “O biometano contribui para a descarbonização da cadeia de consumo do gás natural, e o gás natural é um grande veículo de funcionamento do biometano. Para qualquer produtor, o CGOB não é uma receita acessória. É uma receita fundamental – um pilar para o desenvolvimento do negócio”.
Por Comunicação Abegás
Related Posts
‘O Gás que Move Minas’ | Painel 3: O Valor da Descarbonização: Certificados, Competitividade e Novos Negócios
O painel de encerramento discutiu a valoração dos atributos ambientais não energéticos do biometano, com foco especial no recém-criado Sistema de Garantia de Origem do Biometano, o CGOB (Certificado de...
‘O Gás que Move Minas’ | Painel 2: Interiorização do Gás: Redes Isoladas como Plataforma para Novos Mercados
O segundo painel abordou as redes isoladas (ou estruturantes) como ferramentas essenciais para a interiorização do gás e o fomento ao desenvolvimento econômico regional. Sob a moderação do presidente do...













