O Brasil está indo na direção certa com as discussões sobre acesso a infraestrutura e desverticalização no mercado de gás natural, afirmou o vice-presidente executivo de E&P internacional da Equinor, Philippe Mathieu. “Os tópicos em debate são corretos”. Segundo o executivo, para desenvolver o mercado brasileiro de gás, é necessário ampliar a competição, garantir acesso dos produtores aos consumidores, assim como o acesso às infraestruturas. “É muito importante garantir as premissas corretas para desenvolver um mercado de gás no Brasil”, acrescentou. A Equinor é operadora de um dos principais projetos de gás natural que vão entrar em operação no Brasil nos próximos anos, o campo de Raia, na Bacia de Campos. Previsto para 2028, o empreendimento poderá suprir até 15% da demanda total do país, com expectativa de escoar 16 milhões de metros cúbicos por dia. “Estamos desenvolvendo o mercado para esse nosso gás, fechando contratos. Também temos negócios que envolvem a produção de terceiros, para criar uma base de clientes para a qual possamos vender o gás de Raia depois”, disse. Ele lembrou que a Europa também viveu um processo de abertura do mercado, com a entrada de terceiros nas infraestruturas. No caso da Noruega, esses empreendimentos pertenciam à própria Equinor. “Isso significou abrir mão da propriedade no transporte e, depois, contratar essa infraestrutura. Dessa forma, o acesso à capacidade de transporte foi colocado em um patamar mais competitivo, criando condições de igualdade nas quais os produtores precisam competir para obter acesso”, disse. Mathieu ressaltou que outro processo importante na Europa foi a harmonização dos regimes fiscais, comerciais e regulatórios entre os países, assim como está ocorrendo com as regras estaduais no Brasil.
Clusters de produção
O executivo acrescentou que é importante que o Brasil também discuta alterações nas regulações que viabilizem a produção em descobertas menores, inclusive em projetos conjuntos, com a formação de clusters. Segundo ele, há oportunidade para desenvolver descobertas menores no pré-sal por meio da conexão de diversas acumulações a uma plataforma, em processos de tiebacks similares aos que ocorrem no Mar do Norte. “Podemos pensar em desenvolver esses recursos em clusters, combinando os projetos”, disse. Ele ressalta, no entanto, que o país precisa ajustar as regulações para favorecer esses investimentos. Entre as medidas que podem ajudar a reduzir os riscos desses empreendimentos, aponta ajustes no regime fiscal e o próprio acesso às infraestruturas. “Se aplicamos as mesmas medidas dos grandes projetos nesses desenvolvimentos menores, eles não se viabilizam”, disse. “Se vamos desenvolver esses recursos em clusters, é necessário ter incentivos comerciais, uma boa regulamentação em geral, para tornar esses projetos comercialmente viáveis”, acrescentou.
Fonte: Eixos
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