Apesar de reconhecer os avanços no mercado de gás com a participação de novos agentes, a produtora de fertilizantes Yara avalia que o mercado livre de gás no Brasil ainda não tem uma competição adequada entre os agentes, o que se reflete nos preços da molécula. “Nós temos o mercado liberalizado, ou seja, você tem a opção de sair do mercado cativo, escolher seu fornecedor, mas você ainda não tem o mercado funcional do ponto de vista da competição. Hoje ainda existe um price maker de mercado que determina muitos dos movimentos de precificação e o mercado vai seguindo aquilo ali, dada a posição dominante”, disse a gerente de Energia da Yara, Lara Terra, em referência à Petrobras. Para Terra, a situação provoca falta de visibilidade para o consumidor sobre o que fundamenta os preços no mercado. “Isso é a base de decisão de qualquer investimento”, disse a executiva. Segundo ela, se os preços fossem baseados em mecanismos como oferta e demanda, a projeção para negócios seria mais fácil. “O desafio atual do mercado livre não é tanto a liberalização. (…) O ponto que a gente precisa atacar é a parte da competitividade”, disse Terra.
A visão da executiva se assemelha à percepção da Ternium. Segundo o vice-presidente Jurídico e Relações Institucionais da siderúrgica, Pedro Henrique Teixeira, avaliou que o preço do gás no Brasil ainda limita investimentos da indústria. A ANP tenta reduzir o peso da Petrobras sobre a precificação do gás natural por meio do gas release. A autarquia colocou sua proposta de regras para a desconcentração do mercado em consulta pública, aberta até o dia 28 de setembro. A Petrobras, entretanto, rejeita a tese, e argumenta que a simples troca do agente vendedor não terá impacto no preço.
Complexidades e ‘custo percebido do transporte’
Além do preço da molécula, os agentes do mercado de gás precisam negociar sobre o custo de transporte. Para o diretor de Trading e Originação de Gás Natural da MGás, Thiago Araraki, as complexidades do transporte de gás, que exige precisão nos volumes inseridos e retirados para evitar penalidades, também dificulta a entrada de novos consumidores.
“No transporte a gente também tem que simplificar as regras para trazer um custo percebido menor para cada agente”, declarou Araraki. “Isso dificulta essa liquidez de mercado”, avalia. O executivo acredita que o mercado de gás pode se beneficiar com a entrada de consumidores de menor porte, mas vê a simplificação como passo fundamental para a atração destes novos agentes. Para o conselheiro da Agenersa, Vladimir Paschoal, o Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural como oportunidade para harmonizar as regras entre os estados e facilitar a entrada de novos agentes. O conselheiro também avaliou que a evolução do mercado livre de gás no estado é “uma frustração”: “Tínhamos três agentes livres, na última ROG.e, e hoje nós temos cinco, com dois menores que entraram, e um grande dilema para conseguir avançar com esse mercado”, declarou Paschoal. Atualmente, a Agenersa e a distribuidora local de gás Naturgy travam uma disputa pela migração de uma planta da Braskem e outra da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ao mercado livre de gás.
Fonte: MegaWhat
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