O aumento dos investimentos da Cemig Distribuição deve começar a se refletir em maiores retornos após a revisão tarifária de 2028, enquanto uma eventual operação envolvendo a Gasmig poderia acrescentar cerca de R$ 1,1 bilhão ao valor estimado da distribuidora de gás natural. As perspectivas são apontadas pelo Itaú BBA em relatório enviado a clientes sobre a Cemig, que também identifica possibilidades de valorização relacionadas à renovação de concessões hidrelétricas e ao recebimento de indenizações por investimentos não amortizados.
O relatório, assinado pelos analistas Fillipe Andrade, Lucas Guimarães e Lorena Fernandez, elevou de R$ 11,35 para R$ 12,73 o preço-alvo das ações preferenciais da Cemig para o final de 2027, o que representa um potencial de valorização de 9,1% em relação à cotação considerada na análise. A recomendação foi mantida em Market Perform, equivalente a um desempenho em linha com o mercado. Na distribuição, o Itaú BBA projeta que a base de remuneração regulatória líquida da Cemig D aumentará de R$ 18,1 bilhões em 2024 para aproximadamente R$ 40 bilhões em 2029, crescimento médio anual estimado em 17,3%. O banco ressalta, porém, que existe uma defasagem entre a realização dos investimentos e seu reconhecimento nas tarifas. Em razão dessa diferença, um indicador de retorno regulatório sobre o capital investido calculado pelo banco deve cair de 11,4% em 2024 e 2025 para 9,2% em 2026 e 6,5% em 2027, antes de se recuperar nos anos seguintes.
A revisão tarifária prevista para maio de 2028 é apontada como um momento importante para que a expansão da base de ativos comece a se traduzir de forma mais expressiva nos resultados da distribuidora. O banco ressalta que a rentabilidade dependerá da capacidade de obter retornos adequados sobre os investimentos reconhecidos pela regulação. Outro fator considerado pelo Itaú BBA é a revisão da metodologia do Fator X atualmente em discussão na Aneel, mecanismo aplicado nos reajustes tarifários das distribuidoras para considerar ganhos de produtividade. A proposta em discussão combina indicadores de produtividade setorial e individual das concessionárias, com peso de 50% para cada componente.
Segundo o relatório, a Cemig apoia essa alternativa, mas defende ajustes para considerar o crescimento relativo do mercado e os investimentos efetivamente realizados. O banco destaca que a metodologia é especialmente relevante para a Cemig D, diante do volume de investimentos e do crescimento relativamente baixo de seu mercado. A forma de cálculo poderá influenciar a remuneração obtida pela concessionária sobre a base de ativos ampliada.
Gasmig pode destravar valor
No segmento de gás natural, o Itaú BBA estima o valor da Gasmig em aproximadamente R$ 4,3 bilhões, considerando um múltiplo de 1,17 vez sua base de ativos regulatória. Uma eventual transação pelos múltiplos observados nas privatizações da Compagas e da ES Gás, próximos de 1,4 vez, poderia elevar essa avaliação para R$ 5,4 bilhões. A diferença representa um potencial de valorização adicional de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. O banco, no entanto, não incorpora esse ganho ao cenário-base, diante das incertezas jurídicas e da falta de visibilidade sobre uma eventual operação de venda da empresa. O relatório lembra que a Constituição de Minas Gerais estabelece regras específicas para a privatização de empresas estatais prestadoras de serviços de distribuição de gás canalizado. Segundo os analistas, existe uma questão de interpretação jurídica sobre a aplicação dessas disposições à Gasmig, considerando que a empresa é controlada indiretamente pelo Estado, por meio da Cemig. A Gasmig também passa por sua terceira revisão tarifária, que definirá as condições de remuneração da distribuidora entre 2027 e 2031.
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais (Arsae-MG), que assumiu as atribuições regulatórias anteriormente exercidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, propôs reduzir o custo médio ponderado de capital regulatório (WACC) real após impostos de 8,71% para 8,23%. Para fins de cálculo tarifário, a proposta considera uma taxa real antes de impostos de 10,33%. A metodologia foi submetida à consulta pública e ainda depende de aprovação final, segundo o relatório. O Itaú BBA ressalta que a remuneração efetivamente obtida pela Gasmig dependerá não apenas da taxa aprovada, mas também da base de ativos reconhecida, dos custos operacionais, dos volumes distribuídos e da execução dos investimentos. Além da possibilidade de uma transação societária, o banco calcula que a manutenção da metodologia de remuneração anterior poderia proporcionar um aumento de valor comparável ao estimado no cenário de venda.
Fonte: MegaWhat
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