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Gás natural do Catar abastecerá complexo termelétrico Porto de Sergipe I durante 25 anos

O estado de Sergipe finaliza no próximo ano a obra do complexo termoelétrico que receberá gás do Catar, país árabe do Golfo, a partir de 2020. A Centrais Elétricas de Sergipe (Celse) é responsável pela implantação do Complexo Termoelétrico Porto de Sergipe I e assinou há um ano e dois meses um acordo de fornecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL) com a Ocean LNG Limited, joint-venture entre a Qatar Petroleum e ExxonMobil.

De acordo com entrevista por email à ANBA do presidente da Celse, Eduardo Maranhão, a Ocean LNG fornecerá até 1,3 milhão de toneladas por ano de GNL para a Celse. O contrato prevê fornecimento ininterrupto por 25 anos até dezembro de 2044, segundo Maranhão. O gás natural será usado como combustível da usina termoelétrica do complexo, que produzirá energia para a linha de transmissão que vai até o sistema integrado nacional.

Segundo informações da Celse, o Complexo Termoelétrico Porto de Sergipe I terá uma usina termoelétrica que transformará o gás natural em energia elétrica, uma linha de transmissão de 33 quilômetros e um conjunto de instalações offshore. Destas últimas fazem parte uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação (FSRU) de GNL e um gasoduto. O gás chegará do Catar na forma líquida e será regaseificado nestas instalações.

De acordo com a empresa, toda essa estrutura utilizará tecnologia de ponta, o que otimizará a usina em seu nível mais elevado de produção. O navio FSRU ficará ancorado e receberá o gás do Catar. Ele terá capacidade para 170 mil metros cúbicos de GNL, suficiente para atender a unidade termoelétrica do complexo por 17 dias em plena carga (funcionando as 24 horas do dia). Segundo a Celse, o navio FSRU está sendo construído pela Samsung e será operado pela empresa Golar Power.

De acordo com Maranhão, a Celse optou por importar GNL do Catar por causa da necessidade de garantir o fornecimento ininterrupto de gás natural por 25 anos, necessário para a entrada da empresa no leilão de energia nova do tipo A-5. O leilão, do qual a Celse participou em 2015, foi formado por usinas que entrariam em operação comercial em até cinco anos. Na ocasião, a companhia de Sergipe conseguiu 26 contratos para fornecer gás a partir de 2020.

Além de usar o gás natural do Catar na usina do complexo, as quantidades que não forem processadas poderão ser fornecidas para novas empresas que queiram se instalar na região. “Mas a prioridade é o fornecimento à termoelétrica”, afirma Maranhão. De acordo com material divulgado pela Celse, o GNL é uma opção mais limpa que outros combustíveis e gera 90% menos emissões se comparado a termoelétricas que utilizam diesel.

Depois de o complexo finalizado, em 2019, terá início a fase de testes e comissionamento, que é o processo de assegurar que tudo está de acordo com os requisitos operacionais. De acordo com o presidente da Celse, em janeiro de 2020 a usina estará pronta para fornecer energia comercialmente, conforme estabelecido nos contratos de compra e venda firmados no leilão.

O fornecimento do GNL do Catar a Sergipe deve dar impulso na exportação do país árabe ao Brasil. O Catar já exporta gás para o mercado brasileiro, mas os valores não são altos. No ano passado, a nação do Oriente Médio embarcou US$ 445,8 milhões ao Brasil, dos quais nem 10% – US$ 35,9 milhões – foi relativo a gás. A maior parte da exportação é de fertilizante. Os estados compradores de gás do Catar em 2017 foram o Ceará, com US$ 27,5 milhões, e a Bahia, com US$ 8,4 milhões.

De acordo com informações da Celse, o Complexo Termoelétrico Porto de Sergipe I terá investimento total de R$ 5 bilhões, o maior já feito no estado. O empreendimento fica no munícipio de Barra dos Coqueiros, na região metropolitana de Aracaju. A Celse é uma empresa criada pela companhia brasileira Eletricidade Brasil (Ebrasil) e a Golar Power, esta última joint-venture entre a norueguesa Golar LNG e o fundo de investimentos norte-americano Stonepeak Infraestructure Partners.

 

Fonte: Comex do Brasil

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