O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse, ao sair de reunião com os ministros Eduardo Guardia, da Fazenda, e Moreira Franco, de Minas e Energia, que o governo não fez qualquer solicitação para alterar a atual política de preços de reajustes da gasolina e do diesel da Petrobras.
Parente ressaltou que, na reunião, foram apresentadas informações sobre a dinâmica do mercado para que posteriormente o governo possa estudar a adoção de alguma medida. “Como o preço da gasolina e do diesel segue o preço internacional do petróleo e do câmbio, esses fatores não são provocados pela Petrobras. Esses fatores são externos à empresa, que tem a obrigação de refletir isso”, disse.
O presidente da Petrobras explicou, por exemplo, que a redução de preço da gasolina e diesel anunciada hoje é simples de entender quando observada a queda do dólar registrada ontem. “O Banco Central agiu com mais intensidade no mercado ontem. Houve uma redução no câmbio e isso ficou refletido nos preços dos combustíveis hoje”, disse.
Segundo o executivo, o governo está muito preocupado com os preços e quer saber o que, no nível dele, pode ser feito. O ministro Moreira Franco, disse que o governo não pretende mexer na política de preços da Petrobras. “O exemplo passado demonstra o quanto foi danosa essa política”, afirmou.
Guardia, por sua vez, reiterou que o governo conta com espaço fiscal “reduzido” para decidir sobre corte de tributos cobrados sobre os combustíveis. E informou que não há qualquer decisão sobre a intenção do governo de conter as oscilações diárias dos preços dos combustíveis decorrentes da política de preços da Petrobras.
Durante entrevista coletiva para apresentação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo, foi a vez do ministro do Planejamento, Esteves Colnago, tratar do assunto. Ele disse que, diante dos riscos fiscais presentes, vê pouco espaço para redução de impostos com vistas a compensar o aumento dos preços dos combustíveis.
Prazo maior de revisão dos preços
Após a reunião, Parente, ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de a Petrobras ampliar o prazo entre os reajustes, disse que isso não foi tratado durante a reunião. Ele afirmou também que uma possível redução de tributos não foi discutida, e destacou que isso é da alçada do governo.
Segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), o governo discute se o modelo atual da Petrobras, de repassar diariamente a cotação internacional do petróleo para os preços, poderia ser alterado para uma revisão mais periódica, de 10 a 15 dias.
“Não precisa ser uma raspadinha, você raspa e ‘eeeee’ (descobre se ganhou ou perdeu). Pode ser (um reajuste) em 10 ou 15 dias, ou outro período, vai depender da volatilidade do mercado”, disse. A ideia é que um caminhoneiro não seja pego desprevenido no meio do caminho e tenha condições de se programar ao longo da viagem.
O senador afirmou também que o governo não vai interferir para mascarar o resultado. “A Petrobras tem toda a condição de avaliar isso sem a intervenção do governo”, disse. O impacto na inflação não preocuparia, afirmou, apenas os problemas na vida das pessoas e nos custos de determinados setores.
Ele lembrou ainda que os preços do insumo estão relacionados ao mercado internacional. “O barril do petróleo vai ultrapassar US$ 100 com essa instabilidade criada pelo Trump [Donald Trump, presidente americano].” E descartou a redução na Cide ou no PIS Cofins sobre combustíveis porque o déficit fiscal do país não permitiria isso, segundo ele.
Fonte: Valor Econômico
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