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Petrobras tem o maior lucro trimestral desde 2011

A Petrobras terminou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 10 bilhões, comparado aos R$ 316 milhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior. Foi o maior lucro trimestral da companhia desde 2011.

O balanço da companhia refletiu a redução de 70% nas despesas financeiras líquidas entre os trimestres, que passaram de R$ 8,8 bilhões para R$ 2,6 bilhões. Com isso, o lucro antes da incidência de impostos dobrou, para R$ 14,3 bilhões.

A receita da estatal somou R$ 84,4 bilhões no trimestre, alta de 26%, ante a receita de R$ 66,9 bilhões do mesmo intervalo de 2017. O lucro operacional subiu 9%, para R$ 16,9 bilhões.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado teve aumento de 57% no trimestre, para R$ 30 bilhões, ante os R$ 19 bilhões obtidos entre maio e junho do ano passado.

No primeiro semestre, a Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 17 bilhões, alta de mais de 3,6 vezes. De acordo com a companhia, este também foi o melhor resultado semestral desde 2011. A receita totalizou R$ 158,8 bilhões, aumento de 17,3%, na comparação anual.

Despesas

As despesas operacionais da Petrobras somaram R$ 14,96 bilhões, crescimento de 150% na comparação com as despesas do mesmo intervalo do ano passado, ante R$ 6,3 bilhões. Isso foi reflexo das maiores despesas com vendas, do resultado negativo com hedge de petróleo, do menor ganho com desinvestimentos e também com o efeito da variação cambial sobre o saldo da provisão da ação coletiva movida contra a companhia na Justiça dos Estados Unidos.

No trimestre, o ajuste cambial sobre os montantes provisionados para pagamento das futuras parcelas do acordo da ação coletiva somou R$ 1,37 bilhão. No total, o efeito da variação cambial sobre “contingências relevantes” em moeda estrangeira teve um efeito negativo de R$ 1,47 bilhão no resultado.

Já as perdas com variação negativa no valor de mercado das opções de venda contratadas para proteger o preço de parte da produção de óleo somou R$ 547 milhões.

O aumento das despesas financeiras compensou parcialmente a melhora no resultado operacional da companhia. A Petrobras teve margem bruta de 37% no trimestre, a melhor dos últimos anos, uma vez que os custos subiram menos que a receita.

A margem operacional, porém, caiu de 22% para 20% na comparação anual, pressionada pelos aumentos das despesas.

Exploração e produção

A área de exploração e produção (E&P) da Petrobras fechou o segundo trimestre com lucro de R$ 11,6 bilhões, aumento de 137,9% em comparação com o resultado do mesmo intervalo de 2017.

A receita do segmento cresceu 51,7% no trimestre, para R$ 48,250 bilhões, representando mais da metade do faturamento total da petroleira Isso foi reflexo, em parte, da alta de 50,5% no preço de venda do petróleo tipo Brent no exterior, para US$ 65,87. No Brasil, o preço médio de venda do barril foi de US$ 67,78, aumento de 43,4%. No exterior, o preço médio de venda do gás natural foi de US$ 26,40 o barril, alta de 30,8%.

A depreciação do real também ajudou no resultado. Os efeitos positivos, contudo, foram parcialmente compensados pelos maiores gastos com participações governamentais.

A produção de óleo e LGN no Brasil no período foi de 2,122 milhões de barris por dia, queda de 4,6% na comparação anual. Segundo a companhia, a redução refletiu as paradas para manutenção no segundo trimestre do ano, e também a cessão de 25% da participação do campo de Roncador. Esses eventos foram parcialmente compensados pela entrada em produção da plataforma P-74, em abril, no campo de Búzios.

O custo de extração (lifting cost) de petróleo da Petrobras no Brasil, já contando com as participações governamentais, subiu 30,6% no segundo trimestre em relação ao mesmo intervalo do ano passado, para US$ 24,43 por barril. Já o custo de extração no Brasil sem as participações governamentais caiu 4,72% no período, para US$ 10,68 por barril.

O indicador em dólar refletiu a apreciação da moeda sobre os gastos reais, e os menores gastos com intervenções em poços.

As participações governamentais subiram por conta do aumento das cotações internacionais do petróleo.

Gás e energia

No segmento de gás e energia, o lucro líquido foi de R$ 271 milhões no período, queda de 94,1% em relação ao ganho de R$ 4,6 bilhões do mesmo intervalo do ano passado. Apesar dos maiores volumes e preços de vendas de gás natural, o resultado caiu por conta dos maiores gastos com importação de gás natural liquefeito (GNL), devido ao aumento da demanda do setor termelétrico nacional.

A importação de GNL somou 29 mil barris por dia, alta de 38%.

A Petrobras registrou ainda um novo provisionamento de R$ 967 milhões com perdas de crédito esperadas referentes ao setor elétrico.

Abastecimento

A área de abastecimento teve lucro líquido de R$ 5,2 bilhões no segundo trimestre, resultado 51,5% maior que o registrado entre maio e junho do ano passado. Segundo a Petrobras, houve aumento no volume de vendas e da participação de mercado em diesel e gasolina, ao mesmo tempo em que a estatal a teve aumento na margem de comercialização de derivados em função da realização de estoques formados a preços mais baixos.

No período, a produção de derivados no Brasil foi de 1,841 milhão de barris por dia, alta de 2,4% na comparação anual.

A importação de petróleo e derivados pela Petrobras subiu 3,5% no segundo trimestre do ano na comparação com o mesmo intervalo de 2017, para 353 mil barris por dia. Por outro lado, a exportação de petróleo e derivados pela companhia, por sua vez, caiu 9,6% no período, para 591 mil barris por dia.

A exportação de petróleo diminuiu por causa do aumento da carga processada nas refinarias. Já o aumento da importação refletiu o aumento da carga processada e o volume importado para processamento no trimestre seguinte.

O volume de vendas de derivados pela estatal caiu 2,45% no trimestre, para 1,791 milhão de barris por dia. O custo do refino no Brasil recuou 7,5% no segundo trimestre, para US$ 2,36 por barril. Isso aconteceu por causa do aumento da carga processada.

Caixa

A geração de caixa operacional da companhia somou R$ 25,60 bilhões no segundo trimestre de 2018, alta de 30% na comparação anual. Ao fim de junho, a Petrobras tinha R$ 65,53 bilhões em caixa, ante R$ 77,97 bilhões no mesmo intervalo do ano passado.

O resultado financeiro líquido da estatal foi negativo em R$ 2,64 bilhões no trimestre, refletindo receitas financeiras da ordem de R$ 4,6 bilhões e despesas de R$ 5,3 bilhões, além do efeito negativo de câmbio, de R$ 1,9 bilhão. No segundo trimestre de 2017, o resultado financeiro tinha vindo negativo em R$ 8,84 bilhões.

No fim de junho, o endividamento líquido da Petrobras chegou a R$ 284 bilhões, alta de 4,9% ante o registrado ao término de março, de R$ 270,7 bilhões. No fim de junho do ano passado, a cifra tinha chegado a R$ 295,3 bilhões.

Ainda assim, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia recuou, devido ao crescimento do Ebitda. A alavancagem chegou a 3,23 vezes, ante 3,52 vezes no fim de março e 3,67 vezes em dezembro de 2017. A meta da companhia é atingir uma alavancagem inferior a 2,5 vezes até o fim de 2018.

Em dólares, a dívida líquida da estatal recuou e atingiu US$ 73,66 bilhões, ante US$ 84,87 bilhões no fim do ano passado.

No trimestre, o investimento total da companhia recuou 1,2%, para R$ 11,31 bilhões. Os recursos aplicados em área de negócios somaram R$ 9,2 bilhões, queda de 10% em relação a igual período anterior.

Desde 2016, a companhia vem apresentando cortes em seu plano de negócios e gestão para se adequar aos patamares de câmbio e do preço do petróleo. O plano de negócios do período de 2018 a 2022 prevê investimentos de US$ 74,5 bilhões.

Proventos

Ao divulgar o resultado do trimestre, a Petrobras anunciou a antecipação do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP), de R$ 652,2 milhões, mesmo valor distribuído no primeiro trimestre. Com a decisão, as antecipações de JCP totalizam R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre.

A companhia informou que o valor equivale a R$ 0,05 por ação, a ser pago aos papéis preferenciais e ordinários. Sobre o valor incidirão impostos de renda retido na fonte. O montante será pago em 23 de agosto. A partir de 14 de agosto, as ações passarão a ser negociadas “ex-juros”.

A antecipação do pagamento de JCP será imputada ao dividendo mínimo obrigatório.

 

Fonte: Valor Online

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