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GNL: novos players entram no mercado

EUA e Austrália se tornam novos exportadores; China substitui geração a carvão por gás e compra mais GNL

O mercado mundial de Gás Natural Liquefeito (GNL) tem novos players globais em ascensão: os Estados Unidos e a Austrália. Os dois países lideraram a entrada em operação comercial de novas unidades de liquefação de gás em 2017. Das cinco novas unidades que entraram em operação no ano passado, dois estão nos Estados Unidos (Sabine Pass trens 3 e 4) e dois na Austrália (Gorgon trem 3 e Wheatstone trem 1). A outra unidade entrou em operação na Rússia (trem 1 da unidade Yamal LNG). Juntos, os dois países foram responsáveis pela adição de 20,3 milhões de toneladas de GNL no mercado global – incluindo os novos terminais e ramp-up de trens já comissionados nestes dois países em 2016. Argélia, Angola e Nigéria também contribuíram para o acréscimo de oferta mundial, totalizando 6,2 milhões de toneladas. As informações constam de estudo sobre o mercado internacional de GNL elaborado pela EPE.

Com tamanha oferta, não é de se espantar que a importação global pelo combustível tenha aumentado. Em 2017, a importação de gás liquefeito no mundo totalizou 293,1 milhões de toneladas, volume 35,2 milhões de toneladas a mais do que o registrado no ano anterior – o segundo maior aumento da história. Resultado semelhante somente em 2010, quando a importação global do produto registrou aumento de 40 milhões de toneladas na comparação com 2009.

Apesar da oferta adicional vinda dos Estados Unidos e Austrália, o volume produzido atualmente não deve provocar uma sobreoferta de gás liquefeito no mercado mundial. A estimativa é que a procura por GNL no mundo deva crescer em torno de 4% ao ano – enquanto a de gás natural está prevista em torno de 2% ao ano. Essa projeção considera, principalmente, os planos da China em substituir seu parque gerador de térmicas a carvão por outras a gás, que são menos poluentes que o carvão.

“Há uma pressão mundial pela descarbonização da energia consumida, principalmente de países altamente poluidores, como a China. Assim, muito do aumento da demanda dos chineses pelo GNL tem sido em função dessa substituição”, analisa Gabriel Figueiredo da Costa, consultor técnico da área de Gás Natural da EPE. Segundo Costa, atualmente, o país tem consumido quase a totalidade do gás que tem sido injetado no mercado internacional e a previsão é que o consumo aumente a uma taxa que varia de 10% a 12% ao ano.

Além da demanda chinesa, as decisões finais de investimento (ou FDI, na sigla em inglês) em novas unidades de liquefação também trazem impactos na previsão de oferta para a próxima década. Isto porque, segundo o estudo, as FDIs vêm caindo drasticamente desde 2015. Em 2016, por exemplo, foram realizadas somente duas FDIs e, em 2017, apenas uma em Moçambique, com capacidade de fornecimento de 3,4 milhões de toneladas por ano.

Para sustentar a taxa de crescimento média da indústria no longo prazo na próxima década, a estimativa é que o mercado precisa adicionar cerca de 15 milhões de toneladas de GNL por ano, indica o estudo.

A EPE estima, entretanto, que o aumento da demanda por GNL deve impulsionar o crescimento da oferta, principalmente proveniente dos Estados Unidos, o que deve manter os preços nos patamares atuais e produzir um excedente de gás que precisará encontrar um destino, como países da América do Sul, por exemplo. Atualmente, o continente responde por apenas 5% da demanda global por GNL, mas há perspectiva de crescimento para atender, principalmente, ao abastecimento energético desses países.

O Brasil pode se beneficiar da expansão na oferta mundial de gás, considerando a proximidade com o mercado norte-americano. Prova de que os produtores de shale gas estão de olho nos países desse continente é que o Canal do Panamá passa por obras de adequação para permitir o escoamento do GNL produzido no Golfo do México a esses países, diz Luiz Paulo Barbosa da Silva, analista de pesquisa energética da área de gás natural da EPE.

Essa mudança já se reflete nas últimas compras de GNL por parte do Brasil, cuja principal origem do produto foi os Estados Unidos, e não mais a Ásia. Dados do Boletim de Acompanhamento da Indústria do Gás, produzido pelo MME, mostram que, em julho (data do levantamento mais recente), o país importou, dos Estados Unidos, 10,1 milhões de m³/dia, contra pouco mais de 1 milhão de m³/dia comprado no mês anterior.

A perspectiva, segundo o estudo da EPE, é que o Brasil continue comprando GNL no mercado de curto prazo para abastecer as termelétricas, principalmente caso se confirme o plano do governo em promover leilões de contratação de térmicas por região.

Apesar da projeção otimista para a oferta de GNL no mercado internacional, esse cenário pode se alterar em função da demanda chinesa, que pode tanto crescer quanto cair, e também devido às paradas de manutenção de unidades de liquefação. Esses dois fatores podem provocar flutuações no mercado e, consequentemente, gerar queda na oferta, observa Lívia Amorim, especialista em Energia, Petróleo e Gás pelo escritório de advocacia Souto Correa Advogados.

 

Fonte: Brasil Energia Online

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