Depois de mais de um ano em deliberação, a Secretaria de Energia e Mineração de São Paulo definiu o percentual mínimo obrigatório de inserção de biometano na rede de gás canalizado, que precisará ser atendido pelas três concessionárias paulistas – Comgás, GasBrasiliano e Gas Natural Fenosa. A decisão foi feita pelo Comitê Paulista de Biogás, formado por representantes do governo, da indústria e da comunidade acadêmica.
O anúncio foi feito quinta-feira (1º/11) no Fórum do Biogás, em São Paulo, pelo subsecretário de energias renováveis, Antonio Celso de Abreu Jr. Segundo ele, quando publicado o decreto regulamentador, depois de três anos, a Comgás precisará adquirir e adicionar 0,5% de biometano em sua rede e as demais 1%. No quarto ano, o percentual deverá ser dobrado, para 1% para a Comgás e 2% para a Gas Brasiliano e Gas Natural Fenosa.
O projeto de lei complementar à Política Paulista do Biogás (Decreto 58.659/2012) e fundamentado pela resolução Arsesp 744 vai para a Assembleia Legislativa ainda neste ano, segundo Abreu. Depois disso, segue para a sanção do governador, o que deve ocorrer entre este e o próximo ano. “Ao passar a valer, acreditamos que criaremos um mercado livre para o biometano como possibilidade de comercialização desse insumo de forma transparente”, disse.
O principal potencial paulista para o biometano ser injetado é na área de concessão da Gas Brasiliano, no interior, onde há 66 usinas sucroalcooleiras a menos de 20 km do gasoduto, distância que permite que a produção de biogás – purificado para biometano – a partir dos resíduos sucroenergéticos (vinhaça principalmente) sejam conectados na rede ou mais facilmente transportados para ela. São Paulo tem potencial de produção de 5,5 milhões de Nm³/dia de biogás e de 2,9 milhões Nm³ de biometano. Além do setor sucroenergético, o biogás em São Paulo também pode ser proveniente de aterros, saneamento e resíduos agrossilvopastoris.
Para a gerente executiva da Abiogás, Camila Agner, o percentual não muito elevado paulista foi muito bem recebido pelo setor. “Estabelecer uma mistura obrigatória de biometano com esse percentual pequeno é muito interessante porque estimula os projetos a saírem do papel e a tirar da inércia o setor de biometano”, diz. Caso o percentual fosse muito elevado, o fato de não haver produtores e a cadeia do biometano consolidada, tornaria a lei sem efetividade. Isso ocorreu com o Decreto 44.855/2014, do estado do Rio, que estabeleceu autorização para as concessionárias de gás adquirirem até 10% de seu consumo em biometano. E isso não ocorreu.
Fonte: Brasil Energia Online
Related Posts
Uso de gás natural no Amazonas evita a emissão de 7,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa
O uso do gás natural tem contribuído para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Amazonas. De acordo com levantamento da Cigás, mais de 7,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa...
Knauf substitui parte do gás natural por biometano em fábrica de materiais de construção no Rio
A Knauf, fabricante de materiais de construção, vai substituir parte do seu consumo de gás natural por biometano na planta em Queimados (RJ), a partir deste mês. O biocombustível será fornecido pela Gás...

