Um estudo publicado pelo Journal of Cleaner Production, pesquisadores do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), que é um centro de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Shell, revelaram os resultados de uma investigação sobre tecnologias de processos de purificação para remoção de contaminantes do biogás. O RCGI tem cerca de 200 pesquisadores que atuam em 45 projetos de pesquisa. Eles criaram um modelo para avaliar o rendimento do processo de limpeza do gás e estimaram que, após a remoção de contaminantes, poderiam ser produzidos 1,975 bilhões de Nm³/ano de biometano a partir da vinhaça da cana-de-açúcar em São Paulo, suprindo 16,6% do consumo de gás natural de todo o estado. Além disso, a substituição do gás natural e do óleo diesel nas usinas de açúcar e álcool poderia evitar o lançamento de 3,965 milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera, o que equivale a 5,48% das emissões do estado.
Caio Joppert, o primeiro autor do estudo, diz que “Há um número grande de tecnologias disponíveis para realizar estes processos, o que pode ser uma barreira para desenvolvedores de políticas e planejadores energéticos estimarem rapidamente, com poucas incertezas e precisão satisfatória, potenciais de biometano levando em conta normas e padrões estabelecidos por órgãos reguladores”. Segundo ele, a ideia foi facilitar o trabalho dos tomadores de decisão e planejadores, criando um modelo que conseguisse estimar quanto gás estará disponível para uso depois da limpeza (em termos de volume) e qual é o conteúdo energético (poder calorífico) desse combustível: “Esses parâmetros podem variar consideravelmente de acordo com a tecnologia utilizada, pois cada tecnologia é como se fosse uma caixinha preta, por assim dizer. O que sabemos é que nunca haverá purificação total do metano de outros gases e vapores que compõem o biogás. E é comum que haja uma perda de metano nesses processos de separação.”
Joppert, que é engenheiro químico e cursa o mestrado no Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE/USP), afirma que os parâmetros de perda de metano são muito bem fundamentados na literatura. “Esse parâmetro de perda influencia a quantidade de gás no final do processo de separação, o teor de metano que esse gás terá… E é algo que acaba não sendo levado em conta pelos planejadores energéticos e desenvolvedores de políticas públicas”, alerta.
De acordo com ele, o Brasil está estipulando agora as normas para injeção de biometano na rede. “Seria um momento oportuno para apresentar a metodologia aos tomadores de decisão e planejadores, algo que o grupo pretende fazer.”
Fonte: PetroNotícias
Related Posts
Bioo fecha primeiro contrato de venda de certificados de biometano
A Bioo assinou o primeiro contrato de compra e venda de Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs) publicamente divulgado no país. O acordo vinculante foi firmado com um grande player europeu...
Biometano terá pouca folga para meta indicativa de 2028
Mesmo que as obras das unidades de biometano acompanhadas pela ANP sejam concluídas nos prazos previstos, o Brasil poderá chegar ao fim de 2028 com capacidade de produção de 3,07 milhões de m³/dia, apenas...

