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O Brasil tem 1 tesouro à espera, escreve Augusto Salomon

Em artigo publicado no site Poder 360, o presidente – executivo da Abegás, Augusto Salomon, afirma que o país terá inúmeros benefícios se o próximo ministro de Minas e Energia for alguém com conhecimento da área elétrica e também da de óleo e gás, setor que deve capitanear os investimentos nos próximos 20 anos.

Historicamente, no Brasil, o Ministério de Minas e Energia sempre foi ocupado por ministros e técnicos mais vinculados ao setor elétrico. A lógica por trás disso estava no fato de que sempre coube à Vale, até então estatal, definir as políticas voltadas à mineração, e à Petrobras, as de óleo e gás.

Este cenário mudou muito nos últimos anos. O setor elétrico brasileiro está consolidado. Praticamente toda a população tem acesso a energia, e as empresas, com exceção da Eletrobras, já foram privatizadas.

As principais companhias estão operando com eficiência e gerando inovação. Pode-se dizer que hoje há muito menos necessidade de definir estratégicas de longo prazo, bastando 1 bom acompanhamento do órgão regulador para evitar abusos econômicos.

Paralelamente a isso, existe uma série de fatores que levaria o país a colher inúmeros benefícios se o próximo ministro de Minas e Energia fosse alguém com conhecimento da área elétrica e também da de óleo e gás, setor que deve capitanear os investimentos nos próximos 20 anos.

Precisamos urgentemente entender que não cabe à Petrobras defender os interesses do país nesta área. Quem cuida dos interesses do país é o ministério. A Petrobras deve se preocupar com os interesses de seus acionistas.

E quais seriam esses benefícios? Em 1º lugar, obtivemos 1 bilhete premiado, que é o pré-sal, a maior fronteira de exploração do mundo, com poços capazes de produzir 90 mil barris por dia e 1 potencial total de 60 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural, mais do que nossos vizinhos da Bolívia produzem.

Os investimentos que devem decorrer dos leilões realizados em 2017 e 2018 chegam a R$ 1,5 trilhão. Se o leilão da cessão onerosa for aprovado pelo Senado, este número chegará a R$ 2 trilhões.

Em royalties, serão arrecadados aproximadamente R$ 1 trilhão. Somente em bônus de assinatura, o governo arrecadou R$ 28 bilhões com os leilões já realizados. O leilão da cessão onerosa tem potencial de arrecadação de US$ 40 bilhões.

Com esse dinheiro é possível resolver o deficit público, sem falar nos empregos que serão gerados. E o principal: o governo poderá financiar o desenvolvimento de tecnologias mais limpas para a matriz energética brasileira.

O uso do petróleo deve diminuir no mundo nos próximos 20 anos. Já o gás natural tem vida mais longa, por ser 1 combustível limpo e considerado vital como transição para energias renováveis. O mundo inteiro já caminha nessa direção.

Na China, rodam atualmente 250 mil caminhões movidos a gás natural. Nos Estados Unidos e na Europa, existem corredores azuis nos quais somente veículos movidos a gás podem circular.

Enquanto em países como a Argentina o gás natural responde por 49,9% da matriz energética, no Brasil são somente 10,7%. No cenário internacional, o gás natural tem participação acima de 20% na matriz energética, com previsão de declínio apenas a partir de 2050. Contudo, até lá, é o único combustível fóssil capaz de fazer a transição para uma matriz mais limpa e de baixo carbono.

A partir de estudo da consultoria Strategy/Pwc, o setor de gás natural tem capacidade para atrair em média US$ 32 bilhões em investimentos se o país adotar 1 conjunto de medidas que favoreça seu desenvolvimento.

Nesse contexto, o estabelecimento de políticas de estado que incentivem a expansão da indústria do gás natural é fundamental para o Brasil –inclusive sob o ponto de vista ambiental.

Com sua diversidade de aplicações, o gás natural pode contribuir para a redução de emissão de gás carbono em diversos setores. Pode substituir o óleo diesel e a gasolina no transporte de cargas, passageiros e coleta de lixo, principalmente nos grandes centros urbanos.

Pode substituir o óleo combustível e o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) na indústria. Pode substituir o carvão e o óleo combustível na geração de energia elétrica. E, ainda, dar suporte para garantir o fornecimento de energia diante da intermitência das novas fontes renováveis (eólica e fotovoltaica).

Considerando que a produção de gás natural do pré-sal é predominantemente oriunda de campos associados ao petróleo ou exclusivamente de gás natural, o país está diante de uma janela de oportunidade. É exatamente agora o momento certo de fazer proveito dessa riqueza no fundo do mar.

Sem políticas claras, previsibilidade para investimentos e estratégicas assertivas, nós não vamos conseguir retirar o óleo e o gás que nos esperam no pré-sal.

Se não houver 1 empenho em desenvolver o setor para que essas riquezas sejam usadas nos próximos 20 ou 30 anos, o velho bordão “O Petróleo é nosso” virará uma triste realidade no Brasil. Será nosso, porém sem uso e sem gerar benefícios para o país. E o gás natural ficará perdido para sempre em quantidades inimagináveis no nosso subsolo.

 

Fonte: Pode 360

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