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Novas ofertas de GNL pressionam negociação entre Brasil e Bolívia

Volume adicional de gás liquefeito por Estados Unidos e Argentina pode influenciar no montante a ser contratado do país boliviano

A oferta crescente de gás natural liquefeito (GNL) na bacia do Atlântico pode trazer impactos à negociação da renovação do contrato de importação de gás natural do Brasil com a Bolívia. Esse volume adicional é proveniente, principalmente dos Estados Unidos, mas também da Argentina, que possui um projeto de GNL embarcado (FLNG, na sigla em inglês) na gaveta pronto para sair nos próximos anos. Ambos os países podem representar uma oferta adicional ao mercado brasileiro, ainda mais levando em conta as muitas termelétricas vinculadas a terminais de regaseificação e que podem absorver esse volume.

Só o projeto argentino de GNL, o Tango FLNG, tem capacidade de produção de 0,5 milhão de toneladas por ano (mtpa), o que equivale a um volume de até 3 milhões de m³/dia de gás regaseificado, segundo o professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP. No caso dos Estados Unidos, há o shale gas que é destinado para exportação como GNL, tornando o país um player cada vez mais importante no que diz respeito às vendas externas.

Atualmente, existem dois terminais de exportação em operação: um na Louisiana, no Golfo do México – e, portanto, mais próximo dos mercado consumidores do Atlântico Sul – e, em Maryland, mais ao Norte do país. Relatório da consultoria Wood Mackenzie já tinha apontado que só para este ano são esperados três novos projetos a serem instalados em território norte-americano: Golden Pass, Calcasieu Pass e Sabine Pass Train 6. A expectativa é que aproximadamente US$ 20 bilhões sejam investidos em novos projetos de terminais de liquefação nos próximos quatro anos naquele país.

Há ainda o plano da Petrobras de privilegiar o gás doméstico, proveniente do pré-sal. Nesse cenário, avalia o professor, os bolivianos disputam para manter o volume de venda de até 30 milhões de m³/dia, mas, ao que tudo indica, o contrato deverá ser renovado por um volume menor.

Como forma de fortalecer sua presença no Brasil, os bolivianos buscam intensificar uma aproximação com estados brasileiros. No final de 2018, o governo da Bolívia fechou acordos para fornecimento do hidrocarboneto para o Mato Grosso do Sul – com possibilidade de entrarem como sócios em uma termelétrica -, para o Mato Grosso e ainda para a Shell Brasil.

No caso do Mato Grosso do Sul, foi fechado um acordo de fornecimento de 1,2 milhão de m³/dia ao projeto termelétrico Termo Fronteira, a partir de 2025, e por um período de 25 anos, com possibilidade de ampliação de fornecimento para até 2,5 milhões de m³/dia. Além disso, a estatal boliviana YPFB será sócia no empreendimento.

 

Fonte: Brasil Energia

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