Leilões de venda do combustível para distribuidoras e termelétricas são contribuiriam para desenvolver o energético no país, de acordo com FGV Energia
A organização de leilões de compra de gás natural por distribuidoras e termelétricas pode ser uma das medidas a serem adotadas para desenvolver o shale gas do país, sugere estudo da FGV Energia, divulgado nesta quinta-feira (21/2). Para a fundação, é importante analisar o esforço exploratório necessário para aproveitar o gás em terra, principalmente o não convencional, para que o resultado seja um ambiente de negócio atraente para novos investidores. Isso porque, atualmente, a monetização do gás é um desafio para o país, dadas as dificuldades envolvendo a política de combustíveis e o acesso à infraestrutura.
Para fazer frente a questão, os produtores independentes teriam como opção a venda do gás para distribuidoras ou para grandes consumidores livres, por meio dos gasodutos. Neste último caso, há a necessidade de expandir a malha, de pouco mais de 9 mil km de extensão e concentrada, principalmente, no litoral do país. Com isso, a geração de energia elétrica surge como opção para escoar esse gás, visto que as termelétricas operam de forma integrada ao sistema.
Apesar das possibilidades, ainda é preciso vencer resistências para o desenvolvimento do shale gas no Brasil. Atualmente, existem liminares na Bahia e no Paraná que proíbem as pesquisas com o gás não convencional. Para a pesquisadora da FGV Energia, Fernanda Delgado, uma das autoras do estudo, a liberação do projeto piloto do governo ajudaria a dimensionar quanto pode ser obtido de retorno com a exploração desse gás. Ela lembrou que, em São Paulo e Sergipe, por exemplo, havia liminares contra esse tipo de operação e que foram derrubadas.
O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, disse que o país precisa aproveitar esse energético e citou o caso dos Estados Unidos que, após desenvolver sua atividade de exploração de shale gas, criou uma alternativa ao crescimento dos preços do petróleo. Sempre que o barril começa a subir, há a oferta de shale gas norte-americano, que acaba contribuindo para reduzir os preços.
Ele ressaltou ainda que existe uma forma responsável de explorar o shale gas sem trazer impactos ao meio ambiente. Atualmente, a técnica de fraturamento hidráulico, utilizada para produção de hidrocarbonetos não convencionais, é contestada devido aos eventuais riscos existentes para lençóis freáticos.
Convencional
Para o gerente de Exploração da Eneva, Frederico Miranda, a saída para o país sair da dependência do gás natural liquefeito (GNL) é a ampliação da exploração do gás em terra, que ainda guarda grande potencial. Somente o campo de Juruá, na Bacia do Solimões, no Norte do país, segundo ele, tem uma reserva estimada entre 30 bilhões de m³ e 35 bilhões de m³. O próprio Parnaíba, explorado pela Eneva, tem reservas de 20 bilhões de m³.
Quanto ao shale gas, Miranda acredita que a melhor forma de monetizar esse tipo de aproveitamento não convencional é por meio da venda do insumo para termelétricas, utilizando a técnica gas-to-wire, já usada pela empresa nas térmicas do Parnaíba, que ficam próximas do campo produtor.
Fonte: Brasil Energia
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