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Petrobras vende TAG para Engie e Caisse por US$ 8,5 bilhões

Petrobras informou na tarde de sexta-feira (5) que o consórcio formado pelo grupo francês Engie e o fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) apresentou a melhor proposta pela aquisição de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG).

A proposta considera um valor de R$ 35,1 bilhões para 100% da TAG, na data base de dezembro de 2017. Após ajustes e atualizações financeiras, a transação, quando concluída, representará para a Petrobras um valor total estimado de US$ 8,6 bilhões, a uma taxa de câmbio de 3,85 R$/US$.

Segundo a estatal, o valor inclui o pagamento, pelo consórcio, das dívidas da TAG com o BNDES, da ordem de US$ 800 milhões, na data de conclusão da operação.

Com a transação, a estrutura societária da TAG ficará da seguinte forma: Engie, 29,5%; Engie Brasil Energia (EBE), 29,5%; CDPQ, 31,5%; e Petrobras, 10%.

A Petrobras explicou que continuará a utilizar os serviços de transporte de gás natural prestados pela TAG, por meio dos contratos de longo prazo já vigentes entre as duas companhias, sem qualquer impacto em suas operações e na entrega de gás para distribuidoras e demais clientes.

Segundo o presidente da Engie no Brasil, Maurício Bähr, a Transpetro, subsidiária da Petrobras, continuará operando provisoriamente os gasodutos da Transportadora Associada de Gás (TAG) durante três anos. Depois desse prazo, a operação da malha será feita pelo grupo francês. “É um período suficiente para que nós possamos juntar esforços com a Transpetro e discutir a forma de transferência dessa operação”, disse o executivo, ao Valor.

A Petrobras informou ainda que a conclusão da operação está sujeita à aprovação pelos órgãos de governança da Petrobras e de defesa da concorrência. “As etapas subsequentes serão divulgadas ao mercado de acordo com a Sistemática de Desinvestimentos da companhia”, acrescentou a Petrobras.

No ano passado, a melhor oferta pela TAG já tinha sido apresentada pela Engie, no valor de cerca de US$ 8 bilhões, incluindo dívidas. Por isso, a empresa francesa teve a possibilidade de negociar termos do contrato com a Petrobras. Com base no modelo definido pelas duas empresas foi aberta a nova rodada de propostas para os concorrentes. Entre os grupos interessados, havia a expectativa de que os preços ofertados superassem aqueles registrados na primeira etapa da venda.

Além da Engie, o fundo Mubadala, dos Emirados Árabes, e o grupo australiano de fundos de infraestrutura Macquarie, também estavam cotados para disputar a unidade de gasodutos da Petrobras.

Sob nova administração desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro, a Petrobras está tentando se desfazer de cerca de US$ 27 bilhões em ativos para reduzir sua dívida e concentrar mais recursos na sua produção de petróleo. “Precisamos aumentar o retorno para os acionistas, e rápido”, disse o diretor-executivo Roberto Castello Branco em uma entrevista em março.

Diversificação dos negócios

A TAG faz parte dos planos de diversificação dos negócios da Engie no Brasil, afirmou o presidente da Engie Brasil Energia (EBE), subsidiária da holding Engie Brasil, Eduardo Sattamini, em comunicado. “A aquisição da TAG será mais um avanço na diversificação de nossos negócios, materializando a estratégia da companhia em se tornar um player-chave da infraestrutura brasileira”, disse Sattamini.

No comunicado, a empresa informa que a oferta foi aprovada em reunião do conselho de administração da companhia em 26 de março.

A participação do Brasil nos resultados do grupo francês Engie, com a aquisição, pode chegar a até 20%, afirmou na noite desta sexta o presidente da filial brasileira da companhia.

“Hoje contribuímos [Brasil] com alguma coisa perto de 15% do resultado do grupo mundial, sem a TAG”, disse Maurício Bähr, ao Valor. “Vamos imaginar que [com a TAG] vai ficar entre 15% e 20% a nossa contribuição para o grupo no mundo, que é bem relevante”, completou. A transportadora de gás encerrou 2018 com receita operacional líquida de R$ 4,9 bilhões e lucro de R$ 2,48 bilhões.

Bähr acrescentou que a operação traz longevidade para as atividades do grupo no Brasil. “Cada vez que fazemos um movimento dessa natureza, estamos ganhando longevidade das nossas atividades no país, uma receita previsível para os próximos anos e criando ótimas perspectivas.”

O executivo contou que a expectativa é concluir o negócio com a Petrobras em maio. A partir daí restará apenas a aprovação das autoridades.

Financiamento

A Engie já tem fechado financiamento com um grupo de bancos locais e estrangeiros para a aquisição da Transportadora Associada de Gás (TAG), da Petrobras, afirmou Bähr. “Temos um financiamento importante. São 70% de financiamento e 30% de capital próprio. E diversos bancos, locais e estrangeiros, já se comprometeram, o financiamento já está fechado.

Não há um financiamento a ser negociado”, disse o executivo ao Valor.

Segundo Bähr, outro ponto importante é que o financiamento é todo baseado na receita da própria TAG.

Novas aquisições

O presidente da Engie no Brasil, disse que o grupo francês pode fazer novas aquisições no Brasil neste ano. “O que está no radar agora é fazer o ‘closing’ [fechamento da aquisição] da TAG. Depois vamos ligar o radar de novo”, disse o executivo ao Valor.

Segundo ele, a companhia tem interesse, entre outros negócios, nos mercados de distribuição de gás canalizado, importação de gás natural liquefeito (GNL), geração de energia a gás, produção de biogás e estocagem de gás natural.

A empresa possui um projeto licenciado de uma usina de cerca de 600 megawatts (MW) em Joinville (SC) e estuda inscrever o empreendimento nos leilões de energia nova. Além disso, a Engie negocia uma parceria com a Golar Power para construção de um terminal de GNL no litoral catarinense, que abasteceria não só a termelétrica, mas o mercado de gás natural da região Sul como um todo.

A companhia também estuda participar de licitações de parcerias público-privadas (PPPs) para iluminação pública em municípios.

4.500 km de Gasodutos

A TAG é a maior transportadora de gás natural do Brasil, contando com infraestrutura de gasodutos com aproximadamente 4.500 km, que se estende por todo o litoral das regiões Sudeste e Nordeste, tendo também um trecho ligando Urucu (província petrolífera no meio da Amazônia) a Manaus (AM).

A malha conta ainda com 12 instalações de compressão de gás (6 próprias e 6 subcontratadas) e 91 pontos de entrega.

Segundo a Engie, o contrato de compra e venda será celebrado após a aprovação dos órgãos de governança e será submetido também ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e à autoridade de concorrência da União Europeia.

Fonte: Valor Online

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