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GD vai apoiar crescimento da cogeração a gás

A cogeração a gás natural no Brasil ainda é utilizada aquém do seu potencial, avaliado pela Abegás entre 6 e 8 GW. Com 100 plantas em operação no momento, as unidades têm potência total próxima de 1 GW, consumindo 2,8 milhões de m3/dia (dados de fevereiro de 2019), segundo a Abegás, portanto pelo menos seis vezes menos do que poderia agregar ao sistema.

Mas a perspectiva é boa, segundo o diretor de estratégia e mercado da Abegás, Marcelo Mendonça. Para ele, além da maior oferta de gás com o pré-sal e dos planos do atual governo de reduzir o valor do combustível, há uma tendência de ampliação de projetos de micro e miniusinas de cogeração, dentro das regras de geração distribuída.

O crescimento via GD é importante porque diminui a dependência de ampliação do mercado por meio de projetos na indústria, responsável pela maioria das unidades instaladas, e cujo fraco desempenho econômico afeta o aparecimento de novas obras na área.

Atualmente, no Brasil, há apenas 3,96 MW instalados de geração distribuída de cogeração a gás. “Mas há projetos surgindo em São Paulo, no Rio de Janeiro e em alguns estados do Nordeste, o que deve ajudar a aumentar a cogeração no país”, diz Mendonça.

Em São Paulo, na área de concessão da Comgas, há projetos em andamento. Segundo o gerente de geração distribuída e aplicações da distribuidora, Pedro Luiz Mendes da Silva Junior, neste semestre ela começará a suprir para mais oito microusinas, com probabilidade de ampliação até o fim do ano.

Novos fornecedores

Para a ampliação dos contratos, a Comgas conta com a atuação comercial de fornecedores de sistemas de motogeradores a gás para cogeração, caso do Grupo Kaula, de Santos (SP), representante da fabricante chinesa de motogeradores Weichai. A Kaula é responsável pela implantação de cinco projetos de micro e minigeração em São Paulo e tem mais seis contratos já assinados, incluindo Rio de Janeiro e Ceará, segundo o seu diretor, Guilherme Pinca. Segundo ele, os projetos em São Paulo são em três condomínios, em um colégio e em uma residência de alto padrão.

No Condomínio Ville des Portes Morumbi, na capital paulista, está em implantação uma miniusina de 90 kW (e de 127 kW térmico) que, além de tornar o edifício autossuficiente nas áreas comuns, terá excedente de energia, cujos créditos de compensação serão compartilhados entre os 88 apartamentos. “Vamos zerar a conta da área comum e ainda dar R$ 180,00 de crédito mensal para cada um dos apartamentos”, afirma Pinca. A energia térmica do calor gerado pelo motogerador vai aquecer a piscina e a central de água quente do edifício.

Um outro condomínio, o Panorama, em Diadema (SP), de três torres residenciais, terá motogerador de 30 kW (43 kW térmico), com economia de até 50% na conta, e o calor será utilizado para aquecer uma piscina de grande porte do condomínio. Já o Condomínio Gran Ville, também de Diadema, terá microusina de 60 kW (84 kW térmico), assim como o Colégio Pueri Domus, que já tem microusina de mesma potência em operação, que aproveitará a energia térmica (84 kW) na piscina e nos chuveiros dos vestiários.

Outra microusina já em operação é em residência de alto padrão na região do Morumbi, em São Paulo, como sistema de 10 kW de potência elétrica e 24 kW térmica para aquecimento da piscina (110 mil litros mês).

Segundo Pinca, o limitante dos projetos, para serem registrados como de geração distribuída pela Aneel, é sempre a demanda térmica. Isso significa que os consumidores precisarão para justificar a aprovação ter demandas para aquecimento, para fazer os projetos CHP (Combined Heat Power), ou de aquecimento e resfriamento, nos projetos CCHP (Cooling Combined Heat Power), na qual o calor também é utilizado para o funcionamento de chiller.

Aliás, o diretor do Grupo Kaula revela que está fazendo um projeto de miniusina em supermercado no Ceará, de 150 kW, que usará o calor da combustão do motogerador para acionamento de chiller da central de água. No Rio de Janeiro, em um hospital, um sistema também de 150 kW (225 kW térmico) vai zerar a conta de energia, hoje em R$ 120 mil reais, em troca de um gasto de apenas R$ 59 mil por mês com gás natural com a cogeração, que atenderá a demanda de resfriamento. A Weichai tem motogeradores de 20 kW a 20 MW.

Revisão da 482

O enquadramento dos projetos de cogeração a gás como GD, na Resolução 482, ficarou sob risco até o ano passado, quando nota técnica da Aneel colocou em questão se a cogeração a gás, por ter fonte fóssil, deveria continuar sob a regras de benefício da resolução em processo de revisão. O temor do setor passou quando na nota da Audiência Pública 01/2019, da revisão, retirou o parágrafo com o questionamento.

“A cogeração a gás é a melhor opção, e em muitos casos a única, para gerar perto da carga em regiões muito adensadas e metropolitanas”, diz o diretor de tecnologia e regulação da Cogen, Leonardo Caio Filho. Com prazo para recebimento de sugestões à última audiência pública da resolução finalizado ontem (9/5), a Cogen chegou a fazer proposta para manter o gás natural com a justificativa apontada por Caio Filho.

Outro ponto levantado pela Cogen em sua contribuição foi a manutenção do limite de 5 MW para minigeração, já que a Aneel cogitou com a revisão reduzi-lo para 1 ou 3 MW. “Boa parte dos projetos de GD com gás são por volta de 3 MW de potência em regiões adensadas, em shoppings e condomínios comerciais. Reduzir o limite seria prejudicial para viabilizar os projetos”, diz.

Outra proposta da Cogen, aí para todas as fontes, visa a portabilidade de net-metering entre diferentes distribuidoras, para facilitar a viabilidade de projetos de geração compartilhada. “Embora nesse caso os principais beneficiários sejam as usinas solares, no futuro isso poderia beneficiar o gás natural”, diz. A Comgas, aliás, segundo informa o seu gerente de geração distribuída, está concluindo um contrato com indústria para implantação de miniusina com cogeração a gás para geração compartilhada.

 

Fonte: Brasil Energia

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