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Desinvestimento da Liquigás tem regras mais rígidas

A Petrobras ajustou as regras do processo de desinvestimento da Liquigás e aumentou as restrições à venda da distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP) para as concorrentes e líderes do mercado Ultragaz, SHV e Nacional Gás.

Um ano após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetar a venda da Liquigás para o grupo Ultra, por R$ 2,8 bilhões, a Petrobras retomou o processo de desinvestimento em março. A estatal não vetou a participação das líderes de mercado, mas, para evitar novos questionamentos, decidiu que Ultragaz, SHV e Nacional Gás não poderão fazer ofertas sozinhas pelo ativo.

O trio poderá comprar a Liquigás em sociedades. E, mesmo assim, com participação limitada. Originalmente, a Petrobras permitiu que empresas com fatia de mais de 10% do mercado podiam entrar como parte de oferta conjunta, desde que não comprassem, individualmente, parcela correspondente a mais de 40% do volume de vendas da Liquigás. A estatal, contudo, fez ajuste nas regras e reduziu o percentual para 30%. A diferença equivale a 2,2 pontos percentuais de participação de mercado.

De acordo com os dados contidos no “teaser” (etapa de divulgação de oportunidade) da Liquigás, a Ultragaz é líder de mercado com 24% de participação, seguida da própria Liquigás (22%), SHV (20%) e Nacional Gás (19%). A Copagaz possui 8%, a Consigás 3% e a Fogás 2%. Outros agentes dividem 2%.

Embora não descarte a venda da Liquigás para os principais agentes do setor, a Petrobras abriu o leque de potenciais interessados para companhias de outros ramos, além de investidores financeiros. Dentro das regras definidas pela estatal, para venda do ativo, a petroleira permitirá a qualificação de companhias que atuem não só na distribuição de GLP, mas também na de gás natural ou combustíveis e na comercialização global de commodities de terceiros (tradings). As empresas interessadas, contudo, terão que ter uma receita bruta superior a US$ 100 milhões.

A estatal permitirá a participação de investidores financeiros, desde que eles tenham ativos sob sua administração ou gestão de

pelo menos US$ 1 bilhão. Originalmente, a empresa exigia que o investidor tivesse feito ao menos um investimento em óleo e gás, infraestrutura ou logística nos últimos dez anos. As exigências, contudo, foram retiradas do “teaser”.

No início do processo de desinvestimento, em 2016, a distribuidora despertou tanto o interesse de empresas do segmento de GLP, interessadas em entrar no Brasil, como a turca Aygaz, quanto de fundos de investimentos, como o Gávea Investimentos.

Depois do veto do Cade, em fevereiro de 2018, a estatal chegou a avaliar a possibilidade de oferta inicial de ações na bolsa, mas optou, ainda na gestão Pedro Parente, por um novo processo de venda de 100% da Liquigás.

 

Fonte: Valor Econômico

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