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Os desafios para reduzir o preço do gás no Brasil

Abertura de mercado, passando por diversificação de agentes supridores, é caminho para baratear insumo no país

Como reduzir o preço do gás natural no Brasil tem feito o mercado se movimentar, desde governo até distribuidoras estaduais. A aposta agora é o programa Novo Mercado de Gás, cujas diretrizes estão sendo discutidas pelos agentes de mercado e representantes do governo a fim de fomentar o mercado consumidor e reduzir o preço do insumo. Sucessor do Gás para Crescer – que permanece parado no Congresso Nacional -, o novo programa pretende atrair recursos de até R$ 50 bilhões até 2030 e, com isso, dobrar a produção nacional de gás, saindo dos atuais 112 milhões de m³/dia para 220 milhões de m³/dia.

A preocupação com o preço do gás natural faz sentido. O insumo é o principal combustível para a indústria, que consumiu 38,2 milhões de m³/dia. O preço do gás tem registrado variação intensa ao longo dos anos, com picos de valores em 2009 e em 2014. Até 2017, em função da retração do mercado internacional, o insumo vinha em movimento de queda, chegando a até R$ 1,20/m³, sem os impostos, e a R$ 1,50/m³, com os tributos. Essa lógica se inverteu nos dois últimos anos, reflexo da alta do petróleo no mercado internacional e do próprio dólar, que têm se mantido em movimento ascendente.

Na avaliação da coordenadora-executiva da Frente Parlamentar da Química (FPQuímica) e diretora da Abiquim, Marina Mattar, a competitividade do preço do gás natural é crucial para o fortalecimento da indústria.

Nesse sentido, a abertura do mercado se torna peça fundamental para esse plano, pois a diversificação dos agentes supridores pode ajudar a baratear o custo da molécula, além de destravar o acesso à infraestrutura, como gasodutos e terminais de regaseificação de GNL. Hoje, a Petrobras detém 74% do mercado supridor de gás no país.

Nesse ponto, a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), para o grupo liderado pela Engie, representa um dos maiores avanços para a desverticalização do setor. Com essa operação, dos 9.473 km da malha de gasodutos de transporte no Brasil, 6.547 km já passaram para empresas privadas, sendo 2.043 km da NTS, vendida em 2016, e 4.504 km da TAG. Abrindo o mercado para novos agentes, a tendência é que o custo do transporte também caia.

Por parte das distribuidoras, quanto mais clientes aderirem à rede canalizada, maior será a demanda. E isso pode significar queda do preço de gás, já que haverá mais clientes para ratear os repasses de custos feitos pelas companhias, segundo explica Marcelo Mendonça, diretor de Estratégia e Mercado da Abegás. A distribuidora, por ser uma indústria de rede, é remunerada pelos ativos e pelos investimentos que faz na expansão física.

O mercado norte-americano de gás é um bom exemplo de como a implantação de políticas que promovam a abertura de mercado contribuem para a redução do preço do insumo. Nos Estados Unidos, graças ao avanço da oferta de gás por meio do shale gas, o país conseguiu reduzir o preço do insumo na comparação com o que é praticado no Brasil. Antes, o preço do gás norte-americano era 50% mais caro do que o brasileiro; hoje, não passa de um terço.

 

Fonte: Brasil Energia

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