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Quatro grupos avançam no processo de aquisição da Liquigás

A Petrobras selecionou ao menos quatro propostas entre as ofertas não vinculantes recebidas, em junho, pela Liquigás e espera agora que os grupos apresentem suas propostas vinculantes (ofertas firmes) até o início de agosto.

A Liquigás é uma distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP), que fornece gás para uso doméstico e industrial, e sua venda é parte do amplo plano de desinvestimentos da estatal de petróleo. Na primeira etapa de propostas, a linha de corte de valor da Petrobras para levar as empresas à próxima fase, conforme duas fontes, foi de R$ 2,1 bilhões.

O Valor apurou que estão entre os proponentes na nova fase as gestoras de private equity GP Investments, Mubadala e Advent e a empresa de participações Itaúsa. Enquanto a Advent avalia sozinha o negócio, a Itaúsa se associou à também distribuidora Copagaz. A Ultragaz também está em um dos consórcios com investidores financeiros, com uma participação de um terço.

São considerados favoritos hoje os grupos liderados por Itaúsa e Mubadala. O preço de referência máximo dado pelo mercado são os R$ 2,8 bilhões que a Ultragaz se dispôs a pagar no ano passado – operação vetada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Outras gestoras que estavam interessadas no ativo inicialmente, como Warburg Pincus e Carlyle, já deixaram a mesa de negociação – esta última acessou o material da venda mas não chegou a fazer proposta, segundo uma fonte. O fundo de pensão canadense CPPIB também avaliou o ativo.

A Petrobras dispensou na primeira fase ao menos duas propostas que estavam entre R$ 1,7 bilhão e R$ 2 bilhões, apurou o Valor. A Petrobras é assessorada no processo de venda da empresa pelo banco Santander.

Conforme uma fonte, o modelo de venda de operações da Petrobras continua composto por três fases – propostas não vinculantes, vinculantes e contra-propostas. Ou seja, uma vez escolhido o vencedor e negociado o contrato, a estatal volta aos demais interessados com a oportunidade de cobrirem a oferta. É o mesmo modelo feito na venda da empresa de gasodutos

Transportadora Associada de Gás (TAG), que ainda causa desconforto a alguns investidores.

“Esse formato expõe muito a outros players o que foi decidido no contrato final proposto e acaba tendo uma arbitragem de preço, com alguns investidores segurando uma margem de ajuste caso precisem fazer contra-proposta”, disse uma pessoa com conhecimento do assunto.

A participação reduzida da Ultragaz no processo é uma determinação do edital de venda, já que no ano passado a transação foi vetada por resultar em concentração de mercado. Quando o Cade vetou a aquisição, o grupo Ultra teve que pagar à Petrobras uma multa de rompimento do negócio, no valor de R$ 286 milhões. Quatro empresas respondem por 85% do volume de gás envasado e a granel no país.

Essa restrição aos operadores foi o que abriu espaço para maior participação, desta vez, dos investidores financeiros. Como os operadores têm ganhos de sinergia, conseguem oferecer preços maiores – para os fundos, a conta é um pouco diferente. Os ofertantes das propostas não vinculantes que a Petrobras selecionou para a nova fase ainda vão definir se apresentam a proposta vinculante.

No ano passado, a Liquigás atingiu faturamento de R$ 5,6 bilhões e teve lucro líquido de R$ 148 milhões. A empresa tem uma rede de quase 5 mil revendedores autorizados no país.

Fonte: Valor Econômico

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