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Gás boliviano manterá papel estratégico no Brasil

Apesar da queda na produção de gás natural de 62 milhões de m3/d para 54 milhões de m3/d, registrada nos últimos seis anos, a Bolívia tem condições de continuar a suprir parte da demanda do mercado brasileiro. A avaliação é de Alvaro Ríos, diretor da consultoria Gas Energy para a América Latina.

Segundo Ríos, a Bolívia consome aproximadamente 14 milhões de m3/dia em seu mercado interno. Com isso, mantidos os atuais níveis de produção, o país teria cerca de 40 milhões de m3 diários disponíveis para negociar com Brasil e Argentina, seus principais mercados externos.

No entanto, há uma tendência de queda na demanda da Argentina, em função do aumento de produção no campo de Vaca Muerta, com um custo de produção bastante competitivo. Assim, os contratos da YPFB para exportação de gás para a Argentina, que vão até 2026, foram reduzidos à metade.

Na avaliação do consultor, isso daria condições à YPFB de atender o mercado brasileiro de forma mais confiável no futuro. O contrato da estatal boliviana com a Petrobras, que se encerra no final deste ano, prevê o fornecimento de até 31,5 milhões de m3/d. No entanto, em 2018, a companhia boliviana entregou, em média, apenas 22,6 milhões de m3/d, para uma demanda média de 26 milhões de m3 diários.

Ríos acrescenta ainda que a produção boliviana tem custo competitivo, capaz de enfrentar a concorrência do GNL importado. Ele estima que o custo de extração do gás natural mais competitivo nas bacias do pré-sal brasileiro é de 2 a 2,5 vezes superiores ao do gás boliviano. “Além disso, o GNL que desembarca em São Paulo é até quatro vezes mais caro do que o gás que chega pelo Gasbol”, acrescenta.

O gasoduto, por sinal, é outra vantagem competitiva. Trata-se de uma infraestrutura implementada e amortizada, o que pode tornar o preço final mais competitivo. Outro ponto importante é seu trajeto. O Gasbol atende à região Centro-Sul do Brasil, enquanto a maior parte do crescimento da produção doméstica brasileira se dará no offshore, por meio dos campos do Pré-Sal e das novas descobertas na costa de Sergipe e Alagoas, tornando sua interiorização mais difícil e custosa.

Não por acaso, recentemente, a YPFB manifestou interesse em aumentar sua participação, hoje de 12%, na TBG, empresa que controla o gasoduto Brasil-Bolívia.

Desafio comercial

O mercado brasileiro será fundamental para o escoamento da produção boliviana, mas, para isso, a YPFB terá de acelerar as negociações com distribuidoras, indústrias e outros clientes no Brasil, já que a demanda da Petrobras vai se reduzir fortemente a partir de 2020.

E o governo boliviano já se movimenta. No último dia 12, o presidente Evo Morales fechou um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin para fornecimento de 2,2 milhões de m3/d de gás para uma fábrica de fertilizantes da empresa russa Acron em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A unidade, ainda em construção, pertencia à Petrobras e foi comprada pela Acron que assumiu a planta. A fábrica deve iniciar operações a partir de 2023.

Pode ser um bom começo, mas, para Ríos, a YPFB tem um grande desafio pela frente do ponto de vista comercial. “O novo cenário brasileiro vai exigir uma reformulação da estratégia comercial da YPFB, que terá de lidar com um cenário mais competitivo e mais pulverizado, para negociar volumes menores com maior número de clientes”, conclui o consultor.

Fonte: Brasil Energia

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