O biogás teve crescimento de 40% ao ano entre 2010 e 2018, mas ainda representa apenas 0,7% da matriz energética do país, demonstrando grande potencial para crescimento, de acordo com dados apresentados pelo diretor de estudos de petróleo, gás e biocombustíveis da EPE, José Mauro Coelho, durante o VI Fórum de Biogás, realizado nos dias 31/10 e 01/11, em São Paulo.
Especialistas do setor convergem ao avaliar que a criação de um programa específico aprimoraria as condições de distribuição do combustível. “Falta uma perna neste novo programa do governo para impulsionar seu desenvolvimento: o interior do Brasil não tem gás. A malha é reduzida, e, neste contexto, o biogás é a solução. Quanto mais biogás a gente tiver, mais gás natural nós vamos vender”, afirma Alessandro Gardemann, presidente da ABiogás. Já o diretor do laboratório nacional de ciência e tecnologia do bioetanol, Gonçalo Pereira, acredita que o biogás constitui a grande molécula da transição, não apenas para o Brasil, mas para o planeta. “A mudança da economia fóssil para a renovável vai acontecer. E o biogás é importante para distribuir energia, gerar emprego e promover uma melhor distribuição de renda”.
Dados atualizados da EPE mostram que o Brasil contava com 126 plantas de biogás em 2015, que, em 2018, passaram a 276, um aumento de 119%. A produção, que era de 1,4 milhão de metros cúbicos/ dia, chegou a 3 milhões de metros cúbicos/dia, sendo que cerca de 70% do biogás produzido tem origem em aterro sanitário.
Em 2012, o País processou 600 milhões de toneladas de cana. As projeções da EPE para 2030 são de 852 milhões de cana processada, o que representa um potencial de produção de biogás de 46 milhões de metros cúbicos/ dia, considerando apenas o aproveitamento da vinhaça e da torta de filtro como resíduos.
“Chamo a atenção para o setor sucroenergético, que tem o maior potencial para geração de biogás, no entanto, ainda com uma participação pequena. O potencial do setor é três vezes maior que o da agricultura e oito vezes maior que o do saneamento. O Brasil importa 22 milhões de metros cúbicos/ dia de gás da Bolívia, ou seja, este potencial cobriria em duas vezes o que importamos”, concluiu Coelho.
Fonte: Brasil Energia
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