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Com reflexo da pandemia, consumo de gás natural retrai 6,7% na indústria e 8,5% no GNV no 1º trimestre

Com medidas de isolamento social e investimentos das distribuidoras na ampliação de rede de distribuição, consumo no segmento residencial sobe 18%.

 O consumo total de gás natural no País- já sente os efeitos da pandemia de novo Coronavírus (Covid-19). De acordo com levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), apurado com concessionárias em todas as regiões do País, o consumo na indústria teve uma queda de 6,7% no primeiro trimestre do ano.

O consumo médio das indústrias no mês de março foi de 25,3 milhões de meros cúbicos/dia, menor volume registrado desde dezembro de 2017.

O consumo automotivo também sofreu. Registrou redução de 8,5% no primeiro trimestre, capturando o início do distanciamento social, ainda de forma voluntária na primeira quinzena de março, com redução de movimento, inclusive, de corridas em veículos usados profissionalmente por motoristas de táxi e aplicativos.

“Esses dados de março já sinalizam uma queda que se acentuou. Em abril, observamos, extraoficialmente, pelas informações de algumas distribuidoras, uma queda de 35% no segmento industrial quando comparado com o mesmo período de 2019. O segmento comercial chegou a registrar uma queda de 60%”, explica o presidente executivo da Abegás, Augusto Salomon.

“É uma crise sem precedentes — e também na indústria de gás natural. A primeira onda foi a queda drástica no consumo e agora o setor está preocupado com o aumento da inadimplência. As distribuidoras são arrecadadoras de toda a cadeia. A cada R$ 100 que a distribuidora recebe na tarifa paga pelo consumidor, apenas R$ 17 representam a remuneração bruta da distribuidoras, a partir da qual a concessionária faz seus investimentos em expansão de rede, mantém a integridade dos ativos e faz o pagamento de seus funcionários e fornecedores, enquanto os outros R$ 83, em média, são utilizados pagar o transporte, o fornecedor da molécula de gás e os impostos ao governos federal e estaduais. Qualquer elevação do nível de inadimplência afeta a todos — desde o supridor e transportador até os governos que recebem impostos”, explica Salomon.

“Precisamos ter condições de buscar empréstimos, nosso problema hoje é fluxo de caixa em curto e médio prazo, temos grandes dificuldades de tomar empréstimos bancários. Precisamos do apoio do governo para a resolução de alguns entraves”, conclui o presidente executivo da Abegás.

Outros segmentos

O consumo das térmicas a gás registrou teve um crescimento de 23,6% no acumulado dos três meses iniciais de 2020 com o mesmo período de 2019. Essa alta é explicada, em grande parte, pela base de comparação de 2019 ser baixa — uma vez que entre novembro e 2018 e o início de 2019 muitas térmicas haviam sido desligadas por determinação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

Com o crescimento do despacho elétrico, houve um crescimento de 2,8% no total geral na comparação com o primeiro trimestre de 2019.

O semento comercial também teve reflexos do início das políticas de isolamento social, que determinaram o fechamento de shoppings, bares e restaurantes, entre outros clientes. A queda foi de 1,9% no período. Por outro lado, o consumo residencial teve um salto de 18%, motivado não só pelo fato de grande parte dos clientes passarem a ficar em casa na totalidade do tempo, mas também pela adição de mais de 160 mil novos clientes em 12 meses.

Em março, o número de unidades consumidoras de gás natural chega a 3,690 milhões — número de medidores nas indústrias, comércios e residências e outros pontos de consumo.

 

Consumo no 1º trimestre/20 em todos os segmentos*

Industrial — Apresentou retração de 6,7% no primeiro trimestre do ano.

Automotivo — O uso de GNV teve redução de 8,5% no trimestre.

Comercial — Registrou retração de 1,9% no trimestre.

Residencial — Cresceu 18% no trimestre.

Cogeração — Acompanhando a desaceleração da indústria, apresentou queda de 15,1%.

Geração elétrica — Alta de 23,6% no consumo das térmicas, com o aumento do despacho termelétrico no trimestre, principalmente no mês de janeiro.

* Comparado ao 1º tri de 2019

Destaques do consumo nas regiões: 1º trimestre/20

  • Centro-Oeste – Crescimento do segmento comercial de 20,7%;
  • Nordeste – Alta de 283,1% na geração elétrica e de 14,3% no segmento residencial;
  • Norte – Avanço de 50,2% no segmento comercial;
  • Sudeste – Crescimento de 18,6% no segmento residencial;
  • Sul – Alta de 18,8% no segmento residencial;

* Comparado ao 1º tri de 2019

 

Veja a íntegra das estatísticas do 1º trimestre de 2020

Janeiro/2020

Fevereiro/2020

Março/2020

Fonte: Comunicação ABEGÁS

 

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