A discussão do projeto da nova Lei do Gás tem enfrentado muito menos resistências na Câmara dos Deputados do que outro marco legal recentemente mudado, o do saneamento básico, e a expectativa do governo é de que o parecer do deputado Laércio Oliveira (PP-SE) seja aprovado pelo plenário entre quarta-feira (26) e quinta-feira (27).
Até partidos de oposição têm sinalizado que podem apoiar a proposta, pelo menos parcialmente, e não devem fazer uma obstrução mais pesada contra a votação esta semana. “Ainda não temos posição, mas nossa assessoria indicou que há pontos positivos no projeto. Nem de longe é a polêmica do marco do saneamento”, disse o líder do PSB, deputado Alessandro Molon (RJ).
Líder da oposição na Câmara, o deputado André Figueiredo (PDT-CE) afirmou que o maior problema do projeto é “continuar priorizando a construção de gasodutos no litoral, sem leva-los para o interior”, e que a oposição não está contra a proposta em si. “Acho o projeto até mesmo inócuo. Sinceramente, não vai alterar em nada [o mercado]”, pontuou.
Já o líder da minoria no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), disse que o projeto impedirá que a Petrobras volte a atuar no mercado de gás no futuro e está trabalhando para convencer os demais partidos a pressionarem por mudanças no texto.
O projeto é uma das prioridades recentes do governo, que prevê que as medidas aumentarão a concorrência no setor e levarão a uma redução no preço do gás natural no país. A principal resistência vem das companhias estaduais de gás, que defendem uma mudança no modelo.
O deputado Laércio Oliveira será o relator no plenário e propôs manter o parecer aprovado na Comissão de Minas e Energia da Câmara no ano passado. Ele está há semanas em Brasília, se reunindo com partidos e deputados para tirar dúvidas e negociar o projeto, mas disse que, até o momento, há poucas resistências, inclusive dos partidos de oposição.
Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Evair de Mello (PP-ES) afirmou que os partidos aliados já estão quase todos apoiando o parecer e outros estão resolvendo questões internas antes da votação. “Já nos reunimos com alguns partidos e há esperança até de ter apoio de parte da oposição, como o PSB. O DEM tinha resistência interna e já foi superado, o PSDB também. O foco maior é aprovar na quarta ou no máximo quinta-feira”, comentou.
Fonte: Valor Online
Related Posts
Relator da Lei do Gás defende transição gradual no Gas Release
Relator da Lei do Gás, o senador Laércio Oliveira (PP-SE) defendeu a adoção gradual de medidas visando a desconcentração do mercado de gás natural, no âmbito do programa Gas Release, de forma que “a...
20 Estados pedem ingresso em ADI da Abegás contra Lei do Gás
Os Estados de Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São...

