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EDF mira leilões de energia para expandir geração a gás

O grupo Électricité de France (EDF) aposta nos leilões de energia previstos para 2021, para se reposicionar no mercado brasileiro. A EDF Norte Fluminense, braço de geração térmica e hidrelétrica da francesa no Brasil, vai tentar negociar dois projetos termelétricos nas licitações deste ano. Em paralelo, a companhia mira aquisição de hidrelétricas no país.

Uma das prioridades da companhia, atualmente, é recontratar a usina Norte

Fluminense (827 megawatts), em Macaé (RJ). O contrato da única termelétrica em operação da EDF Norte Fluminense no país vence em 2024. A ideia é aproveitar os leilões de energia existente para renegociar o ativo. A multinacional não informa se de fato cadastrou o projeto nos certames.

Ao mesmo tempo, o grupo francês mira as licitações de energia nova de 2021, como uma oportunidade de expansão dos negócios no Brasil. A companhia obteve no início do ano a licença prévia do Ibama para uma segunda usina em Macaé (RJ), a Norte Fluminense 2 (1.713 MW). O presidente da EDF Norte Fluminense, Emmanuel Delfosse, conta que está atrás de um contrato para suprimento de gás natural, para viabilizar o projeto.

O grupo francês entrou no Brasil em 1996, na privatização da Light. A empresa chegou a ser controladora da elétrica fluminense entre 2002 e 2006. Na década passada, redirecionou a expansão no país para Sinop e projetos de eólica e solar.

Além da EDF Norte Fluminense, a EDF possui outras subsidiárias no país, como a Citelum (iluminação pública), Framatome (bens e serviços de engenharia para nucleares); e a EDF Renewables, que possui projetos de eólica e solar de 1 GW de capacidade instalada ou em construção no país.

“O Brasil é um país prioritário na EDF, para a expansão do grupo fora da Europa. Dentro dessa perspectiva de crescimento, claro, estamos olhando toda essa parte de renováveis e hidrelétrica, mas também estamos acreditando no gás como um vetor da transição energética”, disse Delfosse ao Valor.

O projeto de maior magnitude da companhia no Brasil, hoje, é a térmica Norte Fluminense 2. A EDF está em negociações com potenciais fornecedores do gás para viabilizar o empreendimento. Delfosse conta que conversa com produtores do présal, que precisam buscar mercado para seus respectivos volumes de produção, já que, pelo termo de compromisso assinado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Petrobras não poderá mais renovar contratos de compra de gás com seus sócios (como Shell, Galp e Repsol).

Ele acredita que haverá concorrência entre projetos termelétricos a gás nos próximos leilões, mas que a empresa está bem posicionada, devido à proximidade do complexo de Norte Fluminense com a infraestrutura de gasodutos de escoamento já existente — que conecta o pré-sal à unidade de processamento de Cabiúnas, em Macaé. A EDF também cogita importar gás natural liquefeito (GNL) por meio do terminal de regaseificação da Petrobras na Baía de Guanabara (RJ) — conectada à malha nacional de gasodutos.

Nesse sentido, o avanço da regulação da abertura do mercado de gás é um elemento crítico para os planos da companhia. O executivo cita também as incertezas em torno da demanda efetiva por novas grandes termelétricas no país.

“Tem algumas questões, como a questão regulatória, o acesso à infraestrutura [existente], que são elementos importantes para nossa entrada em leilão” afirma.

“Mas sabemos que, por causa da pandemia, o consumo baixou. Temos algumas dúvidas sobre a demanda. Independentemente disso, temos que ficar prontos para o leilão, essa é a regra do jogo”, completou.

Delfosse afirma que a EDF busca um parceiro financeiro para o projeto, mas estuda também outros modelos de sociedade. “Se você tem bons projetos, financiamento não é a questão.”

Na geração hidrelétrica, o foco está em usinas já existentes, devido à sensibilidade socioambiental para construção de grandes empreendimentos no país.

Questionado se a EDF tem interesse na fatia à venda pela Light em Belo Monte (11.233 MW), Delfosse respondeu que não está de olho em grandes usinas no país.

 

Fonte: Valor Econômico

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