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Alta do dólar após reação do mercado a intervenção na Petrobras pressiona ainda mais gasolina

Ao intervir no comando da Petrobras e ameaçar com novas interferências nos preços da energia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ajuda a pressionar ainda mais os preços dos combustíveis no país, já que a taxa de câmbio é considerada uma das principais causas da escalada recente. Nesta segunda (22), o dólar abriu em forte alta, chegando a superar os R$ 5,50, e analistas já começaram a revisar para cima suas expectativas para o fim do ano. Com câmbio mais alto, os preços internos permanecerão pressionados mesmo que as cotações do petróleo recuem. “Sempre que o preço do barril sobe tem confusão, mas quando o câmbio sobe junto é tempestade perfeita”, diz Adriano Pires, diretor do CBIE. Em 2021, a Petrobras já promoveu quatro reajustes no preço da gasolina e três no preço do diesel, com altas acumuladas de aproximadamente 35% e 28% respectivamente. Mesmo após os últimos aumentos, na semana passada, especialistas ainda veem espaço para mais altas. “Acho que o Brasil não está preparado para manter uma taxa básica de juros de 2%”, diz Sérgio Araújo, presidente da Abicom. “Isso pressiona o câmbio e prejudica a precificação dos produtos dolarizados”.

Araújo questiona também a elevação do preço do biodiesel, que tem forte impacto sobre o valor final cobrado pelo diesel nos postos, que leva 12% de combustível vegetal em sua mistura. Entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021, o litro do biodiesel subiu cerca de 50%, chegando a R$ 4,277, segundo levantamento do consultor Dietmar Schupp. A alta reflete a disparada da cotação da soja e também a desvalorização cambial, já que a precificação é em dólar. Em março, a mistura sobe para 13%, segundo o cronograma original, o que representaria um impacto adicional de R$ 0,02 por litro no preço do diesel, mantendo as condições atuais. “O vilão do preço do diesel é o biodiesel”, afirma Schupp. Em suas primeiras declarações após ser indicado à presidência da estatal, o general Joaquim Silva e Luna disse que não poderia interferir na política de preços, que “é responsabilidade da diretoria-executiva” da empresa, mas defendeu que a empresa deve ter consciência de que é parte da sociedade e que seus produtos são voltados a pessoas.

Fonte: Folha de S.Paulo

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