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NTS vai diversificar base de clientes a partir deste ano

Primeira empresa de gasodutos privatizada pela Petrobras, a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) se prepara para assinar, neste ano, os primeiros contratos de serviço fora do relacionamento com a petroleira estatal, única cliente da empresa. A ideia é que uma primeira onda, com três chamadas públicas para contratação de capacidade dos dutos, seja concluída até meados de 2022. A previsão da companhia, para os próximos cinco anos, é investir ao menos R$ 950 milhões, dentro de uma nova realidade de mercado, mais aberto.

O valor pode aumentar, a depender do ritmo da demanda por novos projetos de expansão. De olho nesse potencial, a NTS inicia esta semana uma consulta pública ao mercado, para começar a mapear a demanda por novos gasodutos.

A NTS completa em abril quatro anos como uma empresa privada. Com receitas líquidas de R$ 4,4 bilhões em 2019, a empresa é controlada pelo fundo de investimento Nova Infraestrutura (82,35%), liderado pela Brookfield. Os demais sócios são a Itausa (7,65%) e a Petrobras (10%), que vendeu os 90% da companhia em 2017, por US$ 5,2 bilhões, e está se desfazendo da fatia remanescente.

Antes parte do portfólio de ativos de gás da Petrobras, a companhia tem contrato com a Transpetro, braço de logística da estatal, para operação e manutenção dos gasodutos. A partir do segundo semestre deste ano, a NTS se tornará transportadora independente, com o próprio centro operacional.

O presidente da NTS, Wong Loon, disse que, desde 2017 a companhia investiu R$ 560 milhões num pacote de medidas para se preparar para a realidade de diversificação de clientes. No valor, estão incluídos a instalação de um centro de controle, melhorias operacionais e inspeção de dutos, construção de uma estrutura comercial e a primarização e treinamento do pessoal – desde o ano passado a transportadora elevou de menos de 70 para 220 o quadro de funcionários próprios. “Nossa missão é fazer com que nenhum passageiro perceba que a tripulação do avião foi trocada [em pleno voo]”, comparou o executivo.

Loon disse que, do lado comercial, 2021 será o ano da diversificação de clientes. Ele afirmou que a empresa tem recebido consultas de muitos interessados nos serviços da NTS e que espera que, uma vez sancionada a Nova Lei do Gás, o período de “namoro e conversas” se converta em contratos. A legislação foi aprovada na semana passada na Câmara e enviada para sanção presidencial.

“Agora as regras estão claras”, disse. “A Nova Lei do Gás dá segurança jurídica, prazos de transição, é coerente com os anseios do mercado. Tenho certeza de que a lei veio dar um passo significativamente para frente para o avanço do mercado de gás”, completou. A nova legislação trouxe algumas novidades para o negócio de transporte de gás, como, por exemplo, a mudança do regime de outorga para construção de novos gasodutos, do modelo de concessão para autorização.

“Nossa rede está na frente do pré-sal. Todo esse gás do pré-sal vai ser transportado pela NTS. Para atender a essa demanda, precisamos ter agilidade na oferta de capacidade e construção de gasodutos, o que a lei anterior não nos dava. Era mais travada no desenvolvimento de investimentos”, disse o diretor comercial, Edson Real.

O projeto de expansão mais maduro da NTS, hoje, é o gasoduto Itaboraí-Guapimirim (RJ), que visa a conectar as novas unidades de processamento (UPGNs) da Petrobras no Polo GasLub (ex-Comperj) à malha nacional. O projeto é simbólico, uma vez que foi o primeiro e único gasoduto colocado em licitação sob o regime de concessão, mas que nunca saiu do papel. Real disse que a NTS espera concluir, no primeiro semestre de 2022, uma chamada pública para contratação da capacidade do gasoduto, de apenas 11 quilômetros de extensão. A expectativa é que, em janeiro de 2023, o duto já esteja operando. A transportadora vê como potenciais clientes, nessa chamada, a Petrobras, dona das UPGNs de Itaboraí, e outros produtores do pré-sal que eventualmente consigam chegar a acordos com a estatal para acesso à infraestrutura de processamento.

Além desse projeto, Real disse que a NTS mantém conversas com outros agentes, interessados em novos projetos. Para isso, ela espera concluir, entre o fim do primeiro trimestre e início do segundo trimestre de 2022, a chamada pública para contratação de capacidade incremental. A NTS inicia nesta semana consulta ao mercado, para começar a mapear a demanda por novos gasodutos. Por 30 dias, empresas poderão manifestar interesse não vinculante. Em seguida, a transportadora estruturará eventuais projetos de expansão, a serem submetidos à ANP.

A expectativa da NTS, porém, é fechar os primeiros contratos com novos clientes já a partir deste ano, por meio de uma outra chamada pública, para contratação da capacidade disponível na infraestrutura existente. Dentro do acordo entre a Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a estatal se comprometeu a declinar do direito de exclusividade nos contratos de transporte vigentes. A previsão da NTS é abrir a chamada no fim do terceiro trimestre e assinar o contrato com os novos clientes em dezembro.

Agentes interessados na abertura do mercado, como indústrias, comercializadores e produtores, vêm reclamando da falta de uma previsibilidade no calendário das chamadas públicas das transportadoras – o acesso à infraestrutura é, hoje, um dos principais gargalos para que a abertura se desenvolva.

“Não há atrasos [na oferta da capacidade disponível]. Estamos fazendo processo de interação com os dois lados [Petrobras e ANP], faz parte do jogo”, disse Loon.

Antes disso, a NTS espera, nos próximos meses, assinar os primeiros contratos interruptíveis com novos clientes. A principal aposta da companhia, nesse segmento, são empresas interessadas numa transição para o mercado livre e que, antes de migrarem, gostariam de testar o novo ambiente. “Todo mundo está colocando o dedo na água para sentir a temperatura, ninguém quer entrar na piscina já mergulhando. É um processo de aprendizado mútuo”, afirmou Real.

Loon afirmou que, após a conclusão desse calendário de chamadas públicas previstas, a companhia deve iniciar a partir de 2022 uma “segunda onda”, com contratações coordenadas com as demais transportadoras do mercado: a Transportadora Associada de Gás (TAG) e Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG).

Fonte: Valor Econômico

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