A Petrobras vai reajustar em 39% os preços de venda de gás natural para as distribuidoras do insumo. O percentual se aplica a valores em reais; quando medido em dólar, o reajuste será de 32%. Os reajustes de preços são trimestrais.
O reajuste do gás natural acontece cerca de um mês após polêmica causada pelo aumento dos preços dos combustíveis para as refinarias, motivando a demissão do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.
Segundo a estatal, o percentual é resultado da aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, que vinculam o preço à cotação do petróleo e à taxa de câmbio.
A petroleira explicou que para os meses de maio, junho e julho, a referência adotada são os preços dos meses de janeiro, fevereiro e março.
“Durante esse período, o petróleo teve uma alta de 38%, seguindo a tendência de alta das commodities globais. Além disso, os preços domésticos das commodities tiveram alta devido à desvalorização do real”, disse a companhia em comunicado.
Os novos valores também consideram os custos de transporte do gás natural para os pontos de entrega às distribuidoras (city gates). “Esta parcela do preço é atualizada anualmente no mês de maio pelo IGP-M, que, para o período de aferição (março de 2020 a março de 2021), registrou alta de 31%”, acrescentou a Petrobras.
Ainda de acordo com a companhia, apesar do aumento, os preços do gás natural às distribuidoras chegaram a ter redução acumulada de 35% em reais e de 48% em dólares, devido ao efeito da queda da cotação do petróleo no mercado internacional verificada no início do ano.
“A Petrobras esclarece que o preço final do gás natural ao consumidor não é determinado apenas pelo preço de venda da companhia, mas também pelas margens das distribuidoras (e, no caso do GNV, dos postos de revenda) e pelos tributos federais e estaduais. Além disso, o processo de aprovação das tarifas é realizado pelas agências reguladoras estaduais, conforme legislação e regulação específicas”.
A Abegás afirmou em nota que as distribuidoras estaduais não comercializam gás natural e os aumentos dados pela Petrobras serão repassados para o consumidor sem que as distribuidoras tenham qualquer ganho decorrente desse aumento.
Segundo ela, os ganhos das distribuidoras são regulados e definidos pelas agências reguladoras por meio da fixação das margens de distribuição. ” Os aumentos no preço do gás natural não trazem benefícios para as distribuidoras, ao contrário, acabam tirando competitividade do gás natural em relação a outras fontes de energia como a gasolina, óleo combustível, GLP e eletricidade”, disse a entidade, acrescentando que defende maior concorrência na oferta de gás e maiores investimentos no segmento de transporte e em toda a infraestrutura do gás.
A Abegás disse ainda que quando se analisa o valor final da tarifa, o peso maior é o da molécula do gás vendida pela Petrobras, mais o custo do transportador de gás natural. A soma equivale, em média, a 59% do total pago pelo consumidor na conta de gás canalizado.
Tributos federais e estaduais representam 24% do total pago pelo consumidor final. As distribuidoras de gás canalizado ficam com 17% do total, parcela com a qual realizam a manutenção dos ativos, os investimentos em expansão de rede e se remuneram pela prestação dos serviços de distribuição de gás natural encanado, ainda de acordo com a associação.
Fonte: EnergiaHoje
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