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Lira defende investimento em térmicas a gás discutido em parecer da MP da Eletrobras

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu nesta terça-feira que o país invista na construção de usinas de gás natural como fonte de energia, questão que está sendo debatida no parecer do deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) sobre a medida provisória de privatização da Eletrobras. Nascimento foi escolhido por ele para relatar a proposta e deve tornar público seu relatório ainda nesta terça-feira, após uma reunião com os líderes de partidos da base.

Em entrevista para uma rádio de Arapiraca (AL) nesta terça-feira, o presidente da Câmara disse que os deputados estão trabalhando para evitar que o preço da energia suba no médio prazo e destacou que a estiagem atual fez com que o país dependa da atuação de usinas térmicas a óleo diesel para suprir sua demanda, já que as hidrelétricas estão com problemas de fornecimento. Entre as alternativas, afirmou, estão investimentos em energia fotovoltaica, eólica e a gás natural.

“Não é possível que a gente tenha um país que injete 60 milhões de metros cúbicos de gás de volta no pré-sal por dia e a gente esteja importando gás do Catar muito mais barato do que o que se produz no Brasil” , afirmou, dizendo que o gás brasileiro é produzido a US$ 0,30, mas vendido a US$ 10 pela Petrobrás após passar pelos gasodutos, enquanto o do Catar sai a US$ 3,50. “Se não tomarmos uma providência, os brasileiros pagarão uma energia mais cara no médio prazo”, disse.

A contratação de energia a gás natural é uma das principais polêmicas do parecer de Elmar na MP da Eletrobras. O relator incluiu que será preciso construir usinas no interior do país, hoje concentradas no litoral. A mudança exigirá a construção de gasodutos, estimados por fontes do setor em R$ 30 bilhões. Para viabilizar essa operação, o relator sugeriu utilizar parte do superávit financeiro de Itaipu e que um pedaço dos recebíveis que a atual Eletrobras tem direito de receber do governo federal sejam transferidos para a nova estatal que será criada para administrar Itaipu e a Eletronuclear (responsável pelas usinas de Angra).

A equipe técnica do governo apoia a contratação de usinas a gás, mas é contra a interiorização por causa dos altos investimentos, que serão subsidiados pela conta de luz dos brasileiros e por essas outras fontes de recursos. A discussão já ocorreu na Lei do Gás, aprovada no ano passado, e na época as emendas sobre a construção de gasodutos não vingaram.

O presidente da Câmara também destacou, na entrevista, que se a atual operação de capitalização da Eletrobras for bem-sucedida, o governo pode privatizá-la definitivamente em dois anos e manter a Golden Share (ação especial que dá direito a vetar determinadas operações da empresa). Lira disse que o tema será votado nesta quarta-feira no plenário da Câmara para cumprir o acordo de dar ao Senado pelo menos 20 dias para analisar as medidas provisórias.

 

Fonte: Valor Online

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