Em meio às incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio, o governo federal discute antecipar a contratação de GNL para suprimento de usinas térmicas, apurou o Valor.
A medida visa mitigar o risco de preços mais elevados do insumo e, consequentemente, a pressão sobre os consumidores de energia elétrica. Geralmente, as chamadas para contratação de térmicas ocorrem com 60 dias de antecedência, prazo necessário para viabilizar o transporte do insumo. A equipe técnica, no entanto, avalia ampliar esse intervalo para 90 dias. Na prática, a medida, de caráter preventivo, antecipa ao mercado a sinalização de necessidade de combustível para geração de energia. Por exemplo, contratos firmados em julho poderiam garantir o suprimento para acionamento das usinas em setembro, período que coincide com a estação seca, quando há maior restrição à geração hidrelétrica e maior necessidade de uso desse tipo de geração. A discussão ocorreu na quarta-feira, durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), diante do aumento das preocupações com o cenário internacional e possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre a cadeia global de suprimento de combustíveis. A orientação foi no sentido de o colegiado acompanhar a disponibilidade de insumo para as usinas termelétricas. A avaliação é que a medida pode ajudar a mitigar riscos de elevação de custos e, consequentemente, evitar impactos mais intensos na conta de luz.
A preocupação com os impactos nas tarifas em pleno ano eleitoral está no centro das preocupações da equipe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca medidas para mitigar os efeitos aos consumidores. Como encaminhamento imediato, o CMSE recomendou que a Aneel e a ANP fiscalizem geradoras de energia e transportadoras de combustíveis.
O objetivo é verificar as condições dos preços nos contratos de suprimento das térmicas, incluindo não apenas GNL, mas também diesel e óleo combustível, e a disponibilidade dos insumos. No caso do diesel, porém, a iniciativa tem caráter preventivo. Segundo fontes afirmaram ao Valor, atualmente não há despacho relevante de usinas que utilizam esse insumo, nem perspectiva no curto prazo. Isso se deve à recuperação expressiva dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas ao longo de fevereiro e março, que já atingem 70%.
Apesar disso, o sistema elétrico segue contando com o uso de térmicas para atendimento de potência, especialmente em cenários de maior demanda e condições climáticas adversas. Dessa forma, o CMSE manteve a previsão de uso dessas usinas, em conjunto com operação otimizada de hidrelétricas e uso estratégico do reservatório de Itaipu Binacional.
Fonte: Valor Online
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