Quando o nível de operação das indústrias químicas paulistas chega a 90%, o consumo estimado de gás natural pelas empresas do setor chega a 2 milhões de m³/dia. Desse total, metade é consumida como energético e a outra metade, como matéria-prima. Com isso, o aumento de 9% na tarifa do gás em São Paulo teve forte impacto nas empresas. O insumo tem peso significativo na cadeia produtiva. Como matéria-prima, chega a representar de 50% a 70% do custo de produção. Como energético, o peso é menor, mas ainda assim expressivo, chegando a 20%.
Segundo a Abiquim, o setor vem sofrendo com a falta de competitividade do gás natural e o reajuste deverá elevar os custos de produção, piorando a relação do setor com os demais países com os quais a indústria química nacional compete. “O gás natural custa quatro vezes mais no Brasil do que nos Estados Unidos e três vezes mais do que na Europa”, compara a diretora-técnica de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Coviello Ferreira.
Segundo Fátima, de acordo com a cadeia de atuação de cada empresa, o aumento pode levar a um recuo de produção, o que prejudica também a eficiência das plantas. O nível de utilização de capacidade instalada ideal no setor químico deveria ser acima de 90%, mas o setor vem trabalhando com níveis entre 70% e 75% nos últimos três anos. Tal situação, alerta a diretora, pode estimular as importações, que já representam 46% da demanda atual por produtos químicos no Brasil.
A situação pode levar as indústrias químicas paulistas a buscar alternativas de suprimento que permitam adequar esses custos a suas operações de produção e comercialização.
No entanto, esse movimento é difícil no curto prazo. Fátima explica que os consumidores industriais ainda enfrentam barreiras de migração para o mercado livre, que podem vir a ser amenizadas pela regulamentação da Nova Lei do Gás. Na avaliação da diretora, no entanto, a evolução do marco legal dependerá em grande parte da harmonização da lei com as legislações estaduais.
Enquanto não há alternativas imediatas, a indústria se movimenta para tentar contestar o reajuste da tarifa de distribuição da Comgás. Juntamente com a Abiquim, outras associações como a Abividro, Abrace, Anace, e Aspacer negociam com a Arsesp, a agência reguladora paulista e com o governo federal para revisar o aumento.
As indústrias alegam que houve erros na terceira e na quarta revisões tarifárias da Comgás, beneficiando a distribuidora, e que o acordo judicial entre a Comgás e a Petrobras não foi incluído no cálculo das tarifas, o que beneficiaria os consumidores. Confira na íntegra a matéria na qual a Arsesp explica com detalhes os reajustes tarifários da Comgás e da Naturgy.
Na visão da Abiquim, o tema ainda pode ser tratado em nível administrativo. “Quando forem concluídas as discussões e negociações, vamos avaliar os resultados para adotar novas medidas, dentre essas, até mesmo, se for o caso, de cunho judicial”, conclui Fátima.
Fonte: EnergiaHoje
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