A Vibra Energia fechou um acordo com a ZEG Biogás, do grupo de comercialização de energia Capitale, que pretende impulsionar o mercado de biometano no país. A parceria deve assegurar aos fornecedores de etanol da Vibra uma “solução integrada” para a produção do biometano.
A solução alcançará, ao todo, mais de 300 usinas dos 60 grupos sucroalcooleiros que hoje fornecem etanol à Vibra. O biometano pode ser produzido a partir da biodigestão da vinhaça, um resíduo da produção de etanol.
Com o acordo, as empresas pretendem utilizar a capilaridade da Vibra para levar às usinas a tecnologia de biodigestores para vinhaça da ZEG. “A parceria com a ZEG foi certeira. Eles possuem uma tecnologia própria que conta com a melhor solução em biodigestor para vinhaça do mundo, além de ser altamente eficiente em custos”, disse Marcelo Bragança, diretor executivo de Operações, Logística e Sourcing da Vibra.
Estimativas de mercado indicam que o Brasil tem potencial para produzir 10 bilhões de metros cúbicos de biometano por ano, o que equivale a um terço da demanda por gás natural do país. Do potencial estimado, cerca de 30% pode sair das usinas de etanol.
“O biometano é um combustível renovável totalmente intercambiável com o gás natural convencional. Ele inclusive utiliza a infraestrutura de distribuição já existente, sendo um vetor importante para acelerar a transição energética no país”, disse Daniel Rossi, acionista e CEO da ZEG.
Segundo a ZEG, se todo o potencial de biometano presente nas usinas de etanol for aproveitado, substituindo o consumo de gás natural, até 10 milhões de toneladas de gases de efeito estufa podem deixar de ser emitidos na atmosfera por ano.
Em comunicado ao mercado, o diretor executivo de finanças, compras e relações com investidores da Vibra, André Natal, disse que “a companhia está construindo seu caminho rumo a uma transição para fontes energéticas mais limpas e renováveis e vê um enorme potencial no desenvolvimento do mercado de biometano no país”.
Recentemente, o CEO da Vibra, Wilson Ferreira Júnior, disse que a empresa vai se transformar, passando de uma companhia de distribuição para uma de energia. Transações recentes reforçam esse movimento, como a compra da comercializadora de energia Targus e a formação da joint venture de trading de etanol com a Copersucar, anunciada ontem.
Depois da parceria com a ZEG anunciada hoje, a companhia apresentará amanhã ao mercado seu novo plano estratégico. Ele deverá prever foco nos combustíveis de transição energética.
Fonte: Valor Econômico
Related Posts
Bioo fecha primeiro contrato de venda de certificados de biometano
A Bioo assinou o primeiro contrato de compra e venda de Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs) publicamente divulgado no país. O acordo vinculante foi firmado com um grande player europeu...
Biometano terá pouca folga para meta indicativa de 2028
Mesmo que as obras das unidades de biometano acompanhadas pela ANP sejam concluídas nos prazos previstos, o Brasil poderá chegar ao fim de 2028 com capacidade de produção de 3,07 milhões de m³/dia, apenas...

