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Consultoria vê risco de disponibilidade de gás de vizinhos para o Brasil

A forte seca no Brasil contribuirá para um equilíbrio de energia elétrica extremamente apertado no país, avalia a consultoria global de recursos naturais Wood Mackenzie. E há dúvidas quanto à disponibilidade de gás dos países vizinhos para ajudarem o Brasil a enfrentar a crise hídrica.

O analista-chefe da equipe de pesquisa da Wood Mackenzie sobre o setor elétrico do Brasil, Gabriel Dufflis, lembrou que o ONS divulgou um cenário no qual faltam 5,5 GW para outubro e novembro se a hidrologia continuar baixa.

“Um conjunto de medidas destinadas a impulsionar as importações de eletricidade, gás natural e GNL foi proposto para reduzir essa lacuna. É realmente importante entender se os vizinhos do país têm a capacidade real de ajudar, já que cada megawatt adicional conta”.

A atual seca não atinge apenas o Brasil, mas também toda a região da América do Sul. Argentina e Chile também esperam baixa produção hídrica até o final do ano, o que aumenta a necessidade de despacho térmico para esses países. O balanço regional de gás e energia elétrica é de grande importância para o Brasil, que conta com a importação de eletricidade da Argentina e com a importação de gás da Bolívia, ressalta a consultoria.

“A Argentina pode aumentar sua produção de gás natural para garantir despacho térmico extra e também exportar gás tanto para o Brasil quanto para o Chile, que também precisará do gás argentino?”, indaga Dufflis.

De olho nas exportações de gás no próximo verão do hemisfério sul, os produtores de gás da Argentina ainda estão apresentando desempenho superior e aumentaram a produção em mais de 20% desde abril.

“Os volumes totais vão depender de como a Argentina vai lidar com a falta de geração hídrica. Se o país quiser honrar o acordo firmado com os players chilenos, vai exportar eletricidade gerada a partir de óleo combustível e diesel ou dar sinais do preço do gás agora para estimular a atividade de perfuração durante o verão”, afirmou o analista-chefe da Wood Mackenzie para Gás e GNL da América Latina, Henrique Anjos.

Ele aponta que, no caso das exportações de gás para o Brasil, gargalos de dutos de transmissão também podem comprometer a capacidade da Argentina de aumentar a entrega de gás.

Os produtores bolivianos também podem tirar proveito dessa situação, já que as exportações para a Argentina diminuem no verão, o que pode aumentar a disponibilidade de gás na Bolívia.

“Com os preços spot do GNL acima de US$ 12 por milhão de unidades térmicas britânicas nos próximos meses e o equilíbrio apertado no Brasil, a Bolívia pode negociar melhores condições com os players brasileiros para contratos de curto prazo, que podem esperar um grande preço premium“, disse Anjos.

A consultoria afirma que o Brasil precisará aumentar sua capacidade de suprimento de gás rapidamente e de poder despachar sua capacidade termelétrica total. E que dois terminais adicionais de GNL conectados em breve irão aliviar o equilíbrio do gás.

“Estressar a infraestrutura destaca a importância de ter capacidade de reserva para um país com uma demanda de gás tão intermitente. Além disso, com a abertura do mercado e a saída da Petrobras de sua posição de monopolista, as empresas locais de distribuição de gás e os consumidores industriais terão que construir uma carteira de abastecimento de gás resiliente a esses eventos que estressam o balanço de gás do mercado”, concluiu Anjos.

 

Fonte: Energia Hoje

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