Segundo reportagem do Jornal Nacional, um item essencial para milhões de famílias, o botijão de gás de cozinha já custa o equivalente a 10% do salário mínimo em 16 estados. A matéria cita o exemplo de dona Ana Maria., que cuida sozinha dos três netos. A filha dela, mãe das crianças, morreu em 2020. Sem trabalho nem aposentadoria, a única renda da casa vem de um programa social do governo do Distrito Federal: R$ 250 por mês. Na cidade dela, um botijão custa R$ 90. “Esse gás que eu estou usando eu ganhei ele através de uma associação que me deu um vale de R$ 35 e eu inteirei o restante do dinheiro para eu poder comprar o gás”, conta Ana Maria do Nascimento. O almoço desta terça-feira (28) já foi preparado com a angústia de um botijão quase no final. O aumento no preço do gás também tem espantado a clientela de algumas revendas. Numa em Ceilândia, cidade mais populosa do Distrito Federal, eram vendidos, no começo do ano, cerca de 80 botijões todos os dias. Nas duas últimas semanas, segundo os comerciantes, as vendas despencaram e agora só saem, diariamente, cerca de 15 botijões.
O professor de economia Mauro Rochlin, da Fundação Getúlio Vargas, explica que o preço do botijão de gás é resultado, basicamente, de quatro fatores: o preço internacional do petróleo, a cotação do dólar, os impostos e o lucro dos revendedores e distribuidores. E o que mais tem provocado os aumentos, segundo ele, são a disparada do petróleo e do dólar. “Se a gente olhar o comportamento de dólar e preço de petróleo, a gente vai ver que num espaço de 18 meses subiu mais que 60%, os dois preços combinados. E isso tem impacto, então, no preço do petróleo, em reais, e, portanto, no preço final do botijão de gás”, diz Mauro Rochlin.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, em 16 estados o preço médio do botijão está acima de R$ 100, quase 10% de um salário mínimo, que hoje está em R$ 1,1 mil. Em Mato Grosso, a ANP encontrou o maior preço cobrado em um botijão: R$ 135. Só em Sergipe, o preço máximo ficou abaixo dos R$ 100.
Assista à reportagem completa
Fonte: Jornal Nacional (TV Globo)
Related Posts
Sindigás afirma que temor com reforma na ANP é por concorrência desleal
O presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, afirma que o fim da exclusividade de envase de botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP) pelas distribuidoras vai desorganizar o mercado, favorecendo a...
ANP: Pauta traz revisão tarifária do transporte de gás e reforma do GLP
Segundo reportagem da agência iNFRA, a pauta da reunião de diretoria da ANP desta sexta (29), publicada nesta terça (26), traz três principais processos de interesse ao mercado de gás natural e GLP (gás...

