Av. Ataulfo de Paiva, 245 - 6º andar - Salas 601 a 605 – Leblon/RJ – CEP: 22440-032
+55 21 3995-4325

Petrobras tem alta na receita de venda de gás, mas com perda de margens

A crise hídrica, que resultou no aumento da importação de gás por parte da Petrobras a fim atender o acelerado crescimento da demanda por energia termelétrica, fez subir a receita da empresa com a comercialização do combustível, como era esperado. Ocorre que, em contrapartida, reduziu suas margens, em função da elevação de custos decorrente do aumento de preço do gás natural no mercado internacional. Com isso, mesmo diante do maior volume de vendas, a receita obtida não acompanhou o ritmo dos negócios, já que os custos subiram mais.

Os números que constam das demonstrações financeiras do terceiro trimestre, divulgadas recentemente, revelam crescimento da receita da estatal com a venda de gás natural de 28,7% entre julho e setembro, em relação ao segundo. No mesmo período, entretanto, os custos com compras e importações quase dobraram, atingindo 96,3%. A alta expressiva foi devida tanto ao aumento do preço do produto importado, quanto do volume, uma vez que a produção da estatal não era suficiente para suprir a demanda por gás para geração de energia das termelétricas.

“A Petrobras faturou mais com a comercialização de gás no terceiro trimestre em relação ao segundo, mas a margem foi menor. Por esse motivo, o resultado líquido do negócio de gás da Petrobras piorou no terceiro trimestre na comparação com o anterior, apesar do aumento do volume vendido. O GNL responde por 25% do mix das fontes de gás da Petrobras”, avaliou o analista sênior de Investimentos da Warren, Fred Nobre.

A venda de gás natural saiu de US$ 1,3 bilhão entre maio e junho de 2021 para US$ 1,7 bilhão nos três meses seguintes. Já o custo de compra e importação do combustível, em igual período, saltou de US$ 673 milhões para US$ 1,3 bilhão. Em síntese, a empresa perdeu margem ao longo dos últimos seis meses de 2021.

O retrato financeiro evidenciado no balanço encerrado em setembro levou a estatal a apresentar proposta de reajuste de preços do gás natural em até 200% para as distribuidoras estaduais, que rejeitaram o aumento e encaminharão ao Cade solicitação de manutenção dos preços.

A questão é complexa. Fred Nobre observa que não há perspectivas de queda da cotação do gás no mercado internacional, ao menos até o fim do primeiro semestre do próximo ano. A normalização do cenário só deve ocorrer a partir de meados de 2022. Em função disso, acredita que a oferta da Petrobras de contratos de mais longo prazo, com reajustes de 100%, tende a ser melhores para as distribuidoras do que as de prazo curtos (de 200%), uma vez que esses últimos estarão associados a um preço da molécula mais elevado. Isso, naturalmente, se o Cade negar o pedido das concessionárias estaduais de manutenção dos valores nos patamares atuais.

Para o último trimestre do ano, Nobre avalia que, embora o pior da crise hídrica já tenha passado, ainda assim o volume de importação de gás permanecerá em níveis elevados. Diante disso, não trabalha com mudanças expressivas nos números da estatal. “É provável que esse resultado da Petrobras se mantenha; custos e volumes mais altos e margens apertadas”, disse. No início do ano, o preço do gás no mercado internacional oscilava em torno de US$ 16,00, atualmente está em cerca de US$ 30,00, mas chegou a atingir US$ 50,00 em outubro.

O especialista ressalta o descasamento existente entre receitas e despesas na comercialização do gás pela estatal. Nos contratos de venda entre Petrobras e distribuidoras, a fórmula da molécula do gás é baseada no brent ou no preço do óleo combustível, mas a estatal tem custos de importação associados ao benchmark de gás ou ao JKM, que aumentaram expressivamente ao longo deste ano. Em resumo, o descompasso entre custo e receita não deve se resolver no curto prazo e terá impactos negativos sobre os preços finais do gás no mercado interno brasileiro.

 

Fonte: Energia Hoje

Related Posts