Os veículos elétricos (VEs) não devem sobrecarregar o fornecimento de energia do Brasil, pois outros substitutos da gasolina e do diesel podem liderar a tecnologia de abastecimento de veículos no país na próxima década, de acordo com projeções do governo. Embora a demanda de energia elétrica para transporte deva crescer rapidamente, os VEs não serão significativos na matriz de transporte na próxima década, de acordo com o plano de 10 anos do governo para o setor de energia, PDE 2031. O governo espera que o segmento represente apenas 0,3pc de veículos até 2031, o que não justifica uma mudança no plano de expansão da geração, mais focado em fontes intermitentes renováveis, como eólica e solar.
Os dados da associação brasileira de fabricantes de veículos Anfavea são mais otimistas sobre a expansão de veículos elétricos, projetando que eles representarão 12-22% das vendas de veículos leves e 10-26% das vendas de veículos pesados até 2030. O Brasil é o líder da frota sul-americana de veículos elétricos e híbridos, com cerca de 35.000 desses veículos vendidos no ano passado. Mas o México, que vendeu cerca de 43.000 EVs e híbridos nos primeiros 11 meses de 2021, continua sendo o padrão na América Latina, segundo a agência de estatísticas mexicana Inegi. Os motoristas brasileiros têm outras alternativas para produtos refinados, como o diesel, que o governo espera que ainda represente 56% da frota nacional até 2031.
A expansão do gás natural veicular, por meio de adaptação de motores e venda de novos modelos, pode ser uma opção. O Brasil já tem mais de 2 milhões de veículos movidos a gás natural nas ruas, representando a quarta maior frota desse tipo no mundo, segundo a associação brasileira de distribuidores de gás Abegás.
Estados como Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Alagoas já oferecem incentivos fiscais para motoristas que optam por veículos movidos a gás natural. A distribuidora de gás estatal do Rio Grande do Norte, Potigás, chegou a oferecer aos motoristas R$ 1.000 (US$ 195) se eles converterem seus motores para funcionar com gás natural.
O governo federal também tem caminhado no sentido de incentivar o gás natural, com estudos e programas analisando a viabilidade e as condições necessárias para tal expansão.
O governo espera publicar ainda este ano uma nova política de incentivo ao gás natural como combustível para veículos pesados, de acordo com o diretor de estratégia e mercado da Abegás, Marcelo Mendonça. Se o Brasil substituir os 23% de diesel que agora importa por gás natural na frota, a demanda por gás aumentará em 31mn m³/d, disse Mendonça. Isso pode ancorar o consumo de gás, permitindo a expansão do setor e adicionar 90 mil veículos a gás à frota brasileira em 10 anos, segundo a Abegás.
Fonte: Argus
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