A procura por etanol nos postos aumentou nos últimos dias, por causa das constantes altas no preço da gasolina. De acordo com a Unica, as vendas do etanol hidratado subiram 26,2% em fevereiro, em comparação com janeiro. Donos de postos, no entanto, acham que o aumento na procura pode ser passageiro, se o preço do etanol continuar acompanhando as altas no valor da gasolina.
Proprietário de postos em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana de São Paulo, o empresário Miguel Pedroso viu que muitos motoristas passaram a optar pelo etanol. “De uns dias para cá, o consumo de etanol aumentou, mas os preços subiram tanto quanto os da gasolina”, disse.
Pelas suas planilhas, o preço do etanol no posto passou de R$ 3,74 em 10 de fevereiro para R$ 4,28 anteontem, dia 14, refletindo alta de 14,44%. Já a gasolina, no mesmo período, subiu de R$ 5,56 para R$ 6,14, aumento de 10,40%. Ele esclarece que esses são preços de custo.
Pedroso lembra que o etanol anidro (sem água, que é misturado à gasolina), subiu praticamente na mesma proporção do hidratado. “Neste período do ano, quando começa a safra, seria normal cair o preço do etanol, mas este ano não está acontecendo.” A safra 2022/23 foi aberta oficialmente no último dia 9, em Ribeirão Preto.
O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, acredita que a oferta de etanol hidratado será maior este ano, o que pode tornar o preço mais competitivo. “Nesta safra, tivemos queda na moagem em relação à (safra de) 20/21 em razão de consequências climáticas do ano passado, que reduziram a oferta. Agora estamos prevendo safra maior, mas a produção de etanol vai depender da demanda”, disse.
Segundo ele, os meses de dezembro, janeiro e fevereiro foram de demanda muito fraca, o que fez com que os estoques se tornassem significativos para março e abril. Se acontecer a maior produção de cana-de-açúcar, como se espera, essa quantidade maior de cana será direcionada para a produção de etanol.
Atualmente, o mix – volume de cana que vai para a produção de etanol e de açúcar – está em 55% para o etanol e 45% para o açúcar. “A usina tem o compromisso com a produção de açúcar, então não dá para mudar muito o mix, que é definido no início da safra. Mas não há dúvida de que haverá um crescimento na oferta de etanol”, disse.
Fonte: O Estado de S.Paulo
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