O segmento de veículos pesados ganha novas opções de modelos movidos a biometano. A oferta do gás de origem renovável tende a aumentar no Brasil com iniciativas como o programa Integra Resíduos, em São Paulo. Como mostrou a coluna Painel (Folha), a produção no estado deve aumentar 50% em 2026 com a entrada em operação de sete novas unidades de produção do biogás. Além da aplicação industrial, o biometano se consolida como alternativa ao diesel. A Scania foi a primeira a apostar nessa solução para seus caminhões, e agora terá a concorrência da chinesa JAC Motors. Os novos extrapesados a gás fazem parte da estratégia da Green Cargo, empresa brasileira que investe em soluções menos poluentes para o transporte de cargas. São veículos com 560 cv de potência e autonomia de até 900 km com uso de gás natural. A empresa pretende colocar entre 150 e 200 unidades em operação nos próximos 12 meses e já fechou parcerias com JBS, Suzano, Veracel e Eldorado, que participam das etapas de validação dos caminhões.
Na Volkswagen Caminhões e Ônibus, a novidade é o Constellation Biometano que fará parte da frota da concessionária EcoUrbis na cidade de São Paulo. O modelo, que foi customizado para a coleta de resíduos sólidos, tem potencial para reduzir em 90% as emissões de CO2 quando comparado à opção a diesel, de acordo com a fabricante. O veículo é equipado com tanques de aço carbono com 240 metros cúbicos de capacidade de armazenamento de gás. Destinado ao uso urbano, o modelo tem alcance de até 300 km, que seriam suficientes para um dia de serviço na capital paulista. Outra iniciativa voltada para a descarbonização do setor de transporte é a desenvolvida pela MWM em parceria com o grupo Vamos, líder no mercado de locação de caminhões e máquinas. Trata-se de uma operação mais complexa, que envolve adaptação de veículos pesados para o uso do biogás. A BMB, unidade da Vamos que cuida da transformação e da homologação, adquire os veículos originalmente a diesel da VW para fazer a instalação dos componentes necessários para o uso do gás. O pós-venda será realizado pela rede de serviços da MWM. Grosso modo, é como a adaptação de veículos movidos a gasolina para que usem GNV (gás natural veicular), algo comum no Rio de Janeiro. Entretanto, há também a substituição do motor original por outro, produzido pela própria MWM. A empresa que faz a conversão afirma que a potência e as características de uso seguem semelhantes às da configuração a diesel. A Vamos pretende entregar as primeiras unidades ainda no primeiro trimestre, a começar por cem veículos destinados à Comlurb, a companhia de limpeza pública do Rio. Foram investidos R$ 150 milhões no projeto.
Fonte: Folha de S.Paulo / coluna Eduardo Sodré
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