Av. Ataulfo de Paiva, 245 - 6º andar - Salas 601 a 605 – Leblon/RJ – CEP: 22440-032
+55 21 3995-4325

Abegás e ABiogás criam GT para acelerar injeção de biometano nas redes

Associações vão estudar ações para impulsionar o energético nas redes de distribuição das empresas; Ceará é pioneiro, mas distribuidoras de outros estados também avançam com projetos

A Abegás e ABiogás criaram um grupo de trabalho (GT) para desenvolver ações e mecanismos que incentivem a injeção do biometano nas redes de distribuição das empresas. A primeira reunião do GT foi realizada em 11 de maio, em São Paulo, com integrantes das duas associações e representantes das distribuidoras e produtores do energético.

“A produção de biometano tem amplo potencial de expansão nos próximos dez anos. Nossa intenção é transformar em realidade todo esse potencial”, diz Marcelo Mendonça, diretor de Estratégia e Mercado da Abegás.

O biometano é o biogás processado conforme a composição química prevista na regulamentação da ANP, o que o torna adequado para ser injetado na mesma rede já utilizada para a distribuição de gás natural. “Do ponto de vista técnico e regulatório não existe nenhum impedimento para que as distribuidoras façam aquisição de biometano. A tecnologia já é dominada no Brasil, inclusive com um case de sucesso no Ceará. Nossa missão conjunta é trabalhar para tornar o produto viável, tanto da lógica dos produtores como da demanda, ampliando a competitividade”, explica Mendonça.

Já a gerente executiva da ABiogás, Tamar Roitman, indica que a produção atual é de 400 mil metros cúbicos/dia, mas esse volume deve crescer significativamente com as 25 novas usinas já anunciadas, somando investimentos de aproximadamente R$ 60 bilhões até 2030 para ofertar 30 milhões de metros cúbicos/dia. O potencial total do setor, segundo estimativas da associação, pode chegar a 120 milhões de metros cúbicos/dia.

“O biogás está distribuído por todo o país e pode promover a criação da demanda e atração de investimentos regionais. Não há dúvida de que a logística para a distribuição de gás, seja renovável ou não, é primordial para a economia do país, que deve se beneficiar das suas grandes oportunidades de produção nacional de combustíveis gasosos”, afirma Tamar.

Pioneirismo no Ceará

Pioneira no Brasil, a Cegás começou a injetar biometano em sua rede em maio de 2018, e hoje o insumo representa quase 15% no volume de distribuição da companhia.

O biometano distribuído pela Cegás é proveniente do uso de resíduos sólidos do Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza. O energético é produzido pela GNR Fortaleza, que aumentou recentemente sua produção em 20% para cerca de 100 mil metros cúbicos diários.

Além do case cearense, distribuidoras de outros estados também avançam para a aquisição de biometano. Em São Paulo, a GasBrasiliano será a primeira concessionária do país a distribuir 100% de biometano em uma rede dedicada que está construindo na região oeste paulista.

A iniciativa é resultado de um contrato entre a distribuidora e a usina Cocal, cuja planta de biogás de Narandiba, no oeste paulista, recebeu investimentos de R$ 150 milhões para estruturar a produção de biometano a partir do processamento de dois resíduos da cana-de-açúcar: a vinhaça e a torta de filtro. Já a GasBrasiliano fica responsável pela construção de 65 quilômetros de gasodutos para a distribuição do energético na região. O gás, cuja planta tem potencial de produção estimada em até 25 mil metros cúbicos/dia, será entregue aos municípios de Presidente Prudente e Pirapozinho.

No fim de dezembro do ano passado, a Sulgás e a empresa SebigasCótica firmaram o primeiro contrato de suprimento de biometano do estado, resultado da chamada pública para aquisição lançada pela Sulgás em 2020. Com o contrato será instalada no município de Triunfo uma central de tratamento integrado de resíduos da atividade agrossilvopastoril, com capacidade para receber resíduos da agroindústria, que serão transformados em biocombustíveis.

O volume inicial estimado para os cinco primeiros anos do contrato de suprimento com a Sulgás é de 15 mil metros cúbicos/dia, a contar de 2024, ano em que está previsto o início da entrega. De acordo com o contrato, essa capacidade poderá ser ampliada para 30 mil metros cúbicos/dia a partir do sexto ano.

Outra empresa que trabalha para fazer aquisição de biometano é a Compagas, que prevê lançar no segundo semestre de 2022 chamada pública específica com essa finalidade, com planos de estimular o aproveitamento da geração de resíduos orgânicos das agroindústrias, estações de tratamento de esgoto, avicultura, suinocultura, aterros sanitários, entre outros.

No Nordeste, a Copergás lançou em fevereiro o edital para a primeira chamada pública em Pernambuco destinada à aquisição de biometano, que prevê o início do fornecimento para 1º de janeiro de 2024, com prazo de contratação de 10 anos e volume mínimo de 3 mil metros cúbicos/dia.

 

Fonte: Energia Hoje

Related Posts