A Compass planeja investir de R$ 1,6 bilhão a R$ 1,8 bilhão neste ano, um avanço em relação a R$ 1,4 bilhão no ano passado.
O grupo, que recentemente firmou a renovação da concessão paulista da Comgás e, em janeiro, assumiu a operação da Sulgás, do Rio Grande do Sul, também segue em fase final para a aquisição da Gaspetro, que tem participação em 18 distribuidoras de gás pelo país.
“Seguimos como ‘lead buyer’ dessa operação, temos alguns meses até que o Cade faça sua avaliação final”, disse o presidente da Compass, Nelson Gomes, durante o Cosan Day.
A empresa apresentou ao órgão antitruste um plano para vender até 12 distribuidoras da Gaspetro. Segundo o executivo, a venda faz parte da estratégia do grupo de ter um foco em seu portfólio.
Na semana passada, o presidente do grupo Cosan, Luis Henrique Guimarães, afirmou que a expectativa é que a decisão do Cade deverá sair até julho, conforme noticiado pelo Valor.
Sobre a abertura do mercado livre de gás natural, Gomes disse que ela foi postergada por conta da volatilidade provocada pela guerra na Ucrânia, porém, a projeção segue positiva.
“A guerra um traz desafio maior em comercialização de gás. A volatilidade traz, para um mercado em estágio de pré-abertura aqui no Brasil, um desafio maior do ponto de vista do cliente. O cliente tem mais dificuldade de se tornar livre em ambiente volátil, então é natural que busque contratos de prazo mais estendido”, disse ele.
Nesse contexto, os contratos de longo prazo vencidos em 2021 acabaram sendo renovados, para prazos até 2023, 2024, postergando a possibilidade de contratos com comercializadoras. “O mercado está se abrindo de forma gradativa, mais lento do que imaginado no período pré-guerra, mas estamos na direção correta”.
A volatilidade trazida pela guerra não impactou os contratos de longo prazo para o Terminal de Regaseificação de São Paulo, pois eles foram firmados antes da oscilação de preços e, por isso, são competitivos. Porém, a avaliação é que os impactos desse período serão apenas de curto prazo, segundo Gomes.
“Estamos fazendo obra em área de complexidade, mas todo o avanço físico e financeiro [do terminal] está conforme planejado. Todos os contratos, de construção, suprimento, de gerenciamento do terminal e FSRU [unidade flutuante de armazenamento e regaseificação] foram fechados antes da guerra”, disse ele.
“É difícil prever, mas uma hora a guerra vai se arrefecer, e as curvas de preços vão voltar a patamares pré-período volátil. Vemos isso como um período de curto prazo. Mas enxergamos contratos assinados para terminal bastante competitivos”, disse ele.
Para o executivo, a perspectiva de longo prazo para o mercado é bastante positiva. “Em contratos de longo prazo, vemos uma volatilidade bem menor, em todas as métricas que você olha. Todas apresentam curvas decrescentes de custo. O mundo da energia tem visão mais clara do quão importante é o gás para transição energética. Agora, vem o peso da segurança energética. O Brasil precisa de gás, então mesmo com um custo mais desafiador, isso não deve inibir novos investimentos para trazer oferta de gás natural”, completou.
Fonte: Valor Online
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