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Setor de biogás quer contribuir com 10% do corte de emissões

A indústria de biogás mais do que dobrou a produção entre 2017 e 2021, atingindo 2,349 bilhões de metros cúbicos normais (Nm3) no ano passado, segundo dados do CIBiogás, e espera multiplicar seu tamanho em 7,5 vezes até 2030, na projeção da ABiogás. Conforme Tamar Roitman, gerente executiva da entidade, respondendo a uma demanda crescente no mercado doméstico e ao interesse cada vez maior de empresas e investidores, o setor deverá receber investimentos ao redor de R$ 60 bilhões até o fim da década, o que seria suficiente para elevar a capacidade nominal instalada de 4 milhões m3 para algo em torno de 30 milhões de m3 diários até 2030.

Ao longo do processo, o aumento esperado para a produção do gás corresponderia a uma redução estimada em 100 milhões de toneladas de carbono equivalente nas emissões de gases do efeito-estufa, significando 10% das metas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Estrategicamente, os volumes de biogás projetados até 2030, estima a executiva, poderiam substituir a importação de diesel, “o que gera empregos e movimenta a economia de outros países”.

Entre os projetos esperados para os próximos anos, diz Tamar, foram mapeados investimentos em torno de R$ 8 bilhões na instalação de 27 novas plantas para a produção de biometano, destino de parcela da produção adicional de biogás antecipada para o período. Uma parte mais expressiva será reservada à geração de energia, reforçando a fatia do setor na matriz energética, hoje limitada a menos de 0,1%. Atualmente, perto de 80% da produção de biogás têm como destino a geração de energia, somando quase 400 megawatts de potência instalada, quase o dobro daquela registrada em 2016.

O restante do insumo é dividido entre a produção de biometano, que soma em torno de 400 mil m3 por dia, envolvendo uma dezena de plantas, e para a geração de energia térmica, utilizada na alimentação de caldeiras, no aquecimento e em outras aplicações na indústria. Em um horizonte de dois anos, acredita Tamar, a capacidade de produção de biometano poderá dobrar, atingindo 800 mil m3 por dia  por volta de 2023, em um investimento ao redor de R$ 800 milhões. Ela identifica uma corrida para a qualificação de projetos de biogás destinados ao segmento de

geração distribuída para assegurar a isenção da tarifa de distribuição de energia até 2045. A cobrança começará a ser aplicada gradualmente a partir de janeiro de 2023 para empreendimentos que não conseguirem pedir conexão à rede elétrica em prazo de até 12 meses contados desde a sanção do marco legal da geração própria de energia, em janeiro deste ano.

Parte do avanço esperado para a indústria de biogás está relacionado ao Programa Nacional Metano Zero, lançado neste ano como resultado da adesão do país ao esforço global para reduzir em 30% as emissões de metano até 2030, gás entre 20 e 25 vezes mais nocivo ao ambiente do que o CO2. “Trata-se de um programa amplo, que não fixa diretrizes muito claras, mas deixa as bases para ações concretas no setor, despertando o interesse de investidores, produtores e empresas interessadas em fazer a transição energética”, comenta Tamar. A despeito dos avanços esperados, continua ela, a produção diária de biogás em 2030 ainda representará um quarto do potencial estimado para o país, ao redor de 121 milhões de m3 por dia, equivalente a toda a produção brasileira de gás natural, considerando os rejeitos da agropecuária, da indústria e do saneamento.

A Raízen pretende instalar pelo menos 39 novos módulos de produção de biogás até a safra 2030/31 como parte do plano de expansão divulgado durante a oferta inicial de ações no ano passado. “Temos o objetivo claro de liderar a transição energética no país, oferecendo um portfólio completo de soluções renováveis em energia”, destaca Frederico Saliba, vice-presidente de energia e renováveis da Raízen. Numa parceria com a Geo Biogás e Tech, que detém participação de 15% na Raízen Geo Biogás, joint venture dedicada ao desenvolvimento de plantas de biogás a partir de resíduos da produção de açúcar e etanol, já estão em andamento as obras para a instalação da planta de biometano anexa ao Bioparque Costa Pinto, em Piracicaba (SP).

Com capacidade para 26,0 milhões de m3 de gás natural renovável, equivalente ao consumo de 200 mil residências, conforme Saliba, a produção deve ser iniciada em 2023 e já está integralmente negociada com a Yara, para o processamento de hidrogênio e amônia verde, e com a Volkswagen, que usará o biometano em suas fábricas, reduzindo as emissões de efeito-estufa em pouco mais de 90% na comparação com fontes fósseis.

O projeto inicial da Raízen Geo Biogás incluiu a construção da primeira planta de biogás do grupo, no parque de bioenergia Bonfim, em Guariba (SP), inaugurada em 2020. Segundo Saliba, a unidade tem capacidade para gerar 21 megawatts de energia elétrica, utilizando resíduos do processamento da cana.

 

Fonte: Valor Econômico / Suplemento Energias renováveis

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