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Destaque: a nova configuração do mercado brasileiro de distribuição de gás natural

O segmento de distribuição de gás natural no Brasil está passando por mudanças significativas, com a entrada de novos players no mercado e a saída de grupos tradicionais.

No último dia 03, a Energisa anunciou a conclusão da aquisição de 100% da ES Gás com o pagamento de R$ 1,4 bilhão (US$ 290 milhões).

Antes controlada pelo governo do Espírito Santo em parceria com a Vibra Energia, a ES Gás detém a concessão para exploração dos serviços de gás canalizado no estado, com contrato de concessão até 2045.

A empresa atua nos segmentos residencial, comercial, industrial, automotivo, de ar-condicionado, cogeração e termelétricas, com um total de mais de 74.328 unidades consumidoras.

A aquisição marca a entrada da Energisa, detentora de diversas concessões de distribuição de energia elétrica no país, no segmento de distribuição de gás.

Em um comunicado, a empresa informou que a transação está alinhada com sua estratégia de portfólio em um novo setor com alto potencial de crescimento nos próximos anos e sinergias operacionais e administrativas com outras linhas de negócios do grupo.

Para Fabrício Gonçalvez, presidente da Box Asset Management, a entrada da Energisa no mercado de distribuição de gás aumentará a concorrência, principalmente entre as operadoras privadas.

“Isso pode levar a uma melhoria nos serviços oferecidos aos consumidores, como maior eficiência operacional, investimentos em infraestrutura e inovação”, disse à BNamericas.
Segundo ele, com a aquisição, a Energisa poderá se beneficiar de oportunidades de negócios relacionadas à transição energética, como o aumento da demanda por gás natural como combustível e matéria-prima em setores como geração de energia e indústria.

“O gás natural é considerado um vetor importante nessa transição, porque é uma fonte de energia mais limpa em comparação com os combustíveis fósseis tradicionais”, pontuou.

A Abegás disse que a chegada da Energisa representa mais investimento na expansão da ES Gás, o que permitirá a prestação de serviços de gás canalizado a um maior número de clientes residenciais, comerciais, industriais e automotivos.

De acordo com os dados mais recentes da Abegás, o Brasil consumiu em média 57,8 MMm³/d de gás natural em 2022, principalmente para fins industriais (31,6 MMm³/d) e geração de energia elétrica (12,7 MMm³/d).

Outras mudanças

Em janeiro, a Compass Gás e Energia assumiu o controle da Sulgás, responsável pela distribuição de gás no Rio Grande do Sul.

De propriedade da Cosan, a Compass detém participação em outras 10 distribuidoras de gás por meio da Commit Gás: Gás Brasiliano, Gás de Alagoas, Companhia de Gás do Ceará, CEG Rio, Companhia Paranaense de Gás, Companhia Potiguar de Gás, Companha de Gás do Estado do Mato Grosso do Sul, Companhia de Gás de Santa Catarina, Sergipe Gás e Companhia Pernambucana de Gás.

A Commit é a antiga Gaspetro, que foi vendida pela Petrobras como parte do compromisso assumido pela estatal com o Cade para sair do segmento de distribuição de gás.

A Petrobras também vendeu sua subsidiária de gás liquefeito de petróleo (GLP) Liquigás para Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás Butano Distribuidora.

Outras mudanças no mercado nacional de distribuição de gás podem ocorrer, já que outras concessionárias estatais podem ser colocadas à venda no curto ou médio prazo, como a Compagás, da Copel, no estado do Paraná, e a Gasmig, caso a holding mineira Cemig seja privatizada.

Fonte: BNamericas

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