O consultor de Relações Institucionais da Abraget, Edvaldo Luís Risso, questionou a viabilização do processo de descarbonização do gás natural com a produção de biometano, estabelecido no projeto de lei 528/2020, durante audiência realizada pela Comissão de Infraestrutura do Senado para debater o PL chamado de Combustível do Futuro.
Uma das propostas do texto é a obrigatoriedade dos fornecedores de gás natural de reduzirem as emissões de gases de efeito estufa. Para Risso, a produção atual é seis vezes menor do volume necessário para alcançar a escala proposta.
O projeto sugere o aumento de participação de gás renovável a partir de janeiro de 2026, com valor inicial de 1% e teto de 10% de queda das emissões. “Estamos falando de um caminho muito longo do que estamos produzindo e do que estamos implantando, ou do que estaremos implantando, para alcançar a escala necessária”, disse o executivo. Rogério Manso, destacou que o transporte de gás natural é uma alternativa para possibilitar a expansão do mercado de biometano no país. Para ele, os investimentos na malha vão acompanhar o crescimento da oferta de gás renovável.
Manso apontou que uma das alternativas que podem ajudar a conexão de áreas dispersas em uma determinada região geográfica, de acordo com Manso, é a criação de hubs, com a possibilidade de selecionar pontos estratégicos como âncoras para recebimento do combustível renovável.
O consultor da Abraget chamou atenção para a criação de infraestruturas e logísticas adequadas para o atendimento das metas do projeto, sem aumentar as emissões de gases poluentes. De acordo com ele, a logística imposta para atender a escala pode atrapalhar a pegada de carbono.
“A parte da infraestrutura e logística precisa caminhar juntas nesse processo”, afirmou. Risso lembrou que há quase um consenso no setor de que o preço do gás natural vai aumentar para o consumidor brasileiro.
“Onerar ainda mais o processo produtivo do país, com o aumento no preço do gás natural, sem mensurar cuidadosamente os ganhos de eficiência com as estratégias de descarbonização, é ‘ingenuidade técnica’, com custo alto para toda a sociedade brasileira”, concluiu.
Fonte: EnergiaHoje / Agência Câmara de Notícias
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