Deputados pediram que o governo apresse o anúncio das medidas para reduzir o preço do gás natural e viabilizar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados. O assunto foi discutido em audiência conjunta das comissões de Minas e Energia e de Agricultura da Câmara dos Deputados.
O país é o maior importador mundial de fertilizantes. A audiência foi solicitada pelos deputados Otto Alencar Filho (PSD-BA) e Coronel Fernanda (PL-MT). Eles são o autor e a relatora do projeto de lei que cria o Programa Emergencial para a Fabricação da Amônia e Ureia (PL 4338/23), respectivamente.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mais de 87% dos fertilizantes usados na agricultura são importados, ao custo de US$ 25 bilhões/ano. A deputada Coronel Fernanda afirmou que o Brasil produz muito gás natural, mas não há retorno para a economia. Ela defendeu a aprovação do projeto de lei 4338/23, que autoriza a União a conceder subvenção econômica, limitada a R$ 1,7 bilhão anual, ao gás natural comprado por fabricantes de fertilizantes.
A ideia é que o preço ao produtor fique bem abaixo do atual US$ 19 por milhão de BTU, considerado economicamente inviável. Já o deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA) afirmou que o programa para fabricação de amônia e ureia é uma “medida razoável”, que pode servir para reduzir o custo do gás em um primeiro momento, substituído gradualmente pelas propostas de médio e longo prazo do governo.
Demanda existente
O representante do MME, Maurício de Oliveira Abi-Chahin, destacou que as medidas para viabilizar as unidades de fertilizantes, a partir da redução do preço do gás natural, estão sem fase de finalização. Ele não deu prazo para quando serão anunciadas e completou que a demanda existente depende de preços mais competitivos.
“Temos conhecimento de que o preço nacional se encontra muito acima do desejado e que as empresas se defrontam com preços acima de suas concorrentes em outros países, perdendo competitividade”, disse.
De acordo com o assessor do Ministério da Agricultura, José Polidoro, a produção nacional de fertilizantes só se viabiliza com o gás natural entre US$ 6 a 9 por milhão de BTU. Ele comentou que o ministério é favorável ao projeto do deputado Otto Alencar Filho, mas a questão da subvenção depende de negociação com o Ministério da Fazenda.
Petrobras
O gerente-executivo de processamento de gás natural da Petrobras, Wagner Felicio, revelou que a estatal busca maneiras de reativar as quatro usinas existentes no país para produção de fertilizantes. As unidades estão instaladas na Bahia, Sergipe, Paraná e Mato Grosso do Sul.
As três primeiras usam o gás natural como matéria-prima, enquanto a última utiliza resíduo asfáltico para produzir fertilizante. Juntas, as plantas podem produzir até 35% da demanda nacional.
Fonte: EnergiaHoje / Agência Câmara de Notícias
Related Posts
Uso de gás natural no Amazonas evita a emissão de 7,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa
O uso do gás natural tem contribuído para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Amazonas. De acordo com levantamento da Cigás, mais de 7,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa...
Knauf substitui parte do gás natural por biometano em fábrica de materiais de construção no Rio
A Knauf, fabricante de materiais de construção, vai substituir parte do seu consumo de gás natural por biometano na planta em Queimados (RJ), a partir deste mês. O biocombustível será fornecido pela Gás...

